Aos que virão!

Quer queiramos ou não, os mitos alimentam os nossos sonhos e justificam a nossa existência.
Este blog reverencia os mitos deste nosso Cariri Encantado.

sábado, 14 de julho de 2012

Palco Sonoro URCA 2012: Noite de Encerramento: 14/7 (Sábado)

 Clique no link para ver
Palco Sonoro URCA 2012: Noite de Encerramento: 14/7 (Sábado): 19h00 – Recital de Cordel, com João Dantas (Barbalha) 19h30 – Toque da Zabumba canta “Seu Luiz”, com Toque da Zabumba (Crato) 2...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palco Sonoro URCA 2012: Hoje, 12/7, no Palco Sonoro URCA 2012

Hoje, 12/7, no Palco Sonoro URCA 2012: Local: Stand da URCA na ExpoCrato Dia 12/7 –Quinta 19h00 – Nosso Rei, com João Nicodemos (Crato) 20h00 – Gonzagueando in...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Palco Sonoro URCA 2012: ExpoCrato faz homenagem aos 100 anos de Luiz Gonza...

Palco Sonoro URCA 2012: ExpoCrato faz homenagem aos 100 anos de Luiz Gonza...: Para comemorar o centenário do artista, um espaço foi reservado dentro da exposição agropecuária A inspiração na trajetória do ca...

III Palco Sonoro da URCA reúne artistas caririense...

Rotary Club de Crato - Distrito - 4490: III Palco Sonoro da URCA reúne artistas caririense...: A Universidade Regional do Cariri (URCA) adentra o universo musical de um dos maiores artistas da música popular brasileira, com um...

terça-feira, 10 de julho de 2012

Palco Sonoro URCA/BNB: III Palco Sonoro URCA/BNB 2012 em tributo ao Rei d...

Palco Sonoro URCA/BNB: III Palco Sonoro URCA/BNB 2012 em tributo ao Rei d...: Dia 9/7 - Segunda 18h00 - Cortejo do Pau da Bandeira Mirim (Barbalha) 19h00 - Reisado Menino Deus e Guerreiro Mãe das Dores ...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

III Palco Sonoro URCA/BNB 2012


Tradição e traduções da obra gonzaguiana
Local: Stand da URCA na ExpoCrato

Dia 9/7 - Segunda
18h00 - Cortejo do Pau da Bandeira Mirim (Barbalha)
19h00 - Reisado Menino Deus e Guerreiro Mãe das Dores (Juazeiro do Norte)
20h00 - Tocando o Mestre da Sanfona: 100 Anos de Luiz Gonzaga, com a Orquestra de Flautistas Guarani (Campos Sales)
21h00 – Forró di Raiz (Crato)

Dia 10/7 -Terça
19h00 – Tambores Encantados Homenageiam  Luiz Gonzaga, o Menestrel do Sol, com o grupo Tambores Encantados da APAE/Crato
20h00 – Reisando, com a banda Sol na Macambira (Juazeiro do Norte)
21h00 – Nossas Raízes, com a banda Liberdade e Raiz (Crato)

Dia 11/7 - Quarta
19h00 – Baião com pop, com a banda Trotsk (Crato)
20h00 – Geração Ypisilone (Antonina do Norte)
21h00 – Bluiz Gonzaga, com Aquiles Salles (Juazeiro do Norte)

Dia 12/7 - Quinta
19h00 – Nosso Rei , com João Nicodemos (Crato)
20h00 – Gonzagueando in Beatles, com Silvino e Cleivan Paiva (Crato)
21h00 - Baião de "Nós”, com Flauberto Gomes (Juazeiro do Norte)

Dia 13/07 - Sexta (Homenagem dos conterrâneos do Rei)
18h00 - Alegria de Pé-de-Serra, com os Forrozeiros Mirins (Exu)
19h00 - Os Cabas de Gonzaga (Exu)
20h00 - Seguidores do Rei (Exu)
21h00 – Chá-Cutuba chegou, com Chá-Cutuba (Exu)

Dia 14/7 - Sábado
19h00 – Recital de Cordel, com João Dantas (Barbalha)
19h30 – Toque da Zabumba canta “Seu Luiz”, com Toque da Zabumba (Crato)
20h30 – Trio Flor do Piqui (Crato)
21h30 – Herdeiros do Rei (Crato)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fótons


A notícia da semana , amigos, diz respeito à caça de um bicho esquisito , vasqueiro , mais escondido que laranja de bicheiro e falcatrua de político. A mídia pipocou nos ares que tinham capturado o elemento escorregadio, nas Europas, onde foi armado  um alçapão que apelidaram de Acelerador de Partículas. Há já alguns anos,  perseguem o bicho que ninguém nunca viu, não se sabe o jeitão dele. Existem só fofocas e disse-me-disse em torno da estrovenga que carrega um nome estranho e pomposo: Bóson de Higgs. O Higgs foi o primeiro caçador que espalhou, mundo afora, a história sobre a existência desse bicho quase mitológico, parente da Caipora e  do Pai-da-Mata. O certo é que até o presente momento, a coisa parece mais potoca de caçador: ninguém trouxe o rabo do bicho, uma pena do gogó, uma foto, nada: só lero-lero.
                        Como, sempre, em toda Mitologia,a importância do  ser mitológico é vultosíssima. O Bóson, amigos, seria uma pequena partícula que deve existir dentro do núcleo do átomo. Ela serviria como uma espécie de cola para outras 12 partículas aí existentes e um tipo de mensageiro entre elas. Acredita-se que tenha provindo ainda do Big-Bang e seria responsável, na sua primariedade, por dar massa a todos os componentes do Universo. É , na realidade, uma possibilidade teórica, criada dentro de um modelo de Física Atômica que procura, desesperadamente, avançar na compreensão da intimidade da Matéria.De tamanho ínfimo e de uma instabilidades extrema -- rapidamente se transforma em energia-- sua captura é um desafio tremendo.  Há quarenta anos se busca confirmar a sua existência, nestes dias divulgaram-se evidências, embora ainda preliminares,  de que de fato existe. Seria como se tivéssemos capturado a Baleia acorrentada abaixo do altar de Nossa Senhora da Penha, aqui no Crato.  Dizem ter matado a cobra, mas ainda não mostraram o pau, nem o couro do ofídio.
                        Impressionante os avanços da Ciência nos últimos séculos. Conseguiu sobreviver em meio às trevas, à perseguição religiosa, à fé cega e à faca amolada. Degrau após degrau foi fundamentando a escada do conhecimento, tantas e tantas vezes usando como argamassa a cinza de cientistas queimados nas fogueiras da inquisição. A curiosidade, a desconfiança venceram as trevas da fé cega, das pseudoverdades inquestionáveis. A Metodologia Científica pouco a pouco foi substituindo crenças arcaicas, lendas, superstições  empurradas goela abaixo por  gerações e mais gerações de sacerdotes das mais variadas  Mitologias. Darwin reescreveu o Gênesis, a Medicina desmistificou as pragas como castigo divino, a Genética, a cada dia, substitui o sopro primal. Até do Apocalipse a Energia Atômica já se apoderou.
                                   Mais dia, menos dia, capturaremos, por fim, o Bóson de Higgs e teremos em mãos a semente primária donde tudo começou. O leitor pode até replicar que a Ciência não explica tudo, que ficam buracos imensos em toda teoria. Tudo bem, mas a Religião, amigos, explica bem menos. Sempre precisamos de alguns mistérios , como os da Santíssima Trindade ou similares e mais: acreditar, cegamente, em potocas bem mais cabeludas que as dos Bósons . Não vale perguntar, não vale questionar se não as espadas flamejantes nos aguardam para a expulsão do Paraíso.
                                   Percebo, no  entanto, que, se o Bóson , uma vez capturado, nos possa explicar muito da nossa presença física no Universo, falta-nos ainda descobrir uma partícula ( inexistente nos Livros Sagrados e nos Compêndios da Física) que nos desvende essa viagem fugaz,  etérea, profundamente emocional  e que ante a imensidão do Universo, tem a durabilidade de fóton do Bóson de Higgs: a Vida. 

J. Flávio Vieira
Recife

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Luciano Brayner no Cariri Encantado-Sonoridades!


Vixe Maria! A gente vai ter o imenso prazer de conversar com essa figura que adotamos como nossa porque dentro dele pulsante é o seu coração de caririzeiro, com todos os ritmos da nossa cultura: Luciano Brayner, que nos traz para a audição do seu primeiro CD " Casa de Badzé" que funde samba, maracatu, frevo, bossa nova, baião, música cabaçal e música armorial, ricos elementos musicais vivenciados pelo artista. Eu não ouvi ainda, portanto, compartilharemos a mesma emoção pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri 1020 khz, a partir das 14 horas, na próxima quarta-feira.
Quem é doido de perder!
Você pode ouvir e até gravar o programa pela internet, no endereço: www.radioeducadora1020.com.br

Até lá!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

URCA lança edital para inscrições de propostas artísticas do III Palco Sonoro da URCA/BNB, na ExpoCrato 2012


A Reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Professor Otonite Cortez, nomeou Comissão do Stand da Instituição, na ExpoCrato 2012. A URCA torna público edital para inscrições de propostas para seleção de espetáculos artísticos, visando a montagem da Programação do III Palco Sonoro da URCA/BNB, que se realizará das 18 horas às 22 horas, no período de 10 a 14 de julho de 2012. O Espaço, desde que foi criado, passou a ser um dos locais mais atrativos do parque durante a festa, aos que buscam apresentações alternativas e de qualidade artística, com ênfase aos artistas da região.  A coordenação geral da comissão estará a cargo de Marlene Menezes de Sousa, e como coordenador de Palco Interativo, o Professor do Departamento de História da URCA, Carlos Rafael Dias.

Veja abaixo edital na íntegra para seleção dos espetáculos artísticos:

EDITAL DE SELEÇÃO DE ESPETÁCULOS ARTÍSTICOS PARA O III PALCO SONORO URCA/BNB

A Comissão do Stand da Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Coordenadora Geral, MARLENE MENEZES DE SOUSA e o Coordenador de Palco Interativo, CARLOS RAFAEL DIAS, nomeados pela portaria nº 269/GR, torna público o presente Edital que se destina à inscrição de propostas para seleção de espetáculos artísticos visando a montagem de programação do III PALCO SONORA URCA/BNB, que se realizará entre as 18 e 22 horas do período de 10 a 14 de julho de 2012, no Stand da Universidade Regional do Cariri – URCA, durante a realização da Expocrato 2012, em Crato, Ceará.

As normas, critérios e requisitos necessários à participação no Edital são os seguintes:

1. As propostas de espetáculos deverão se coadunar com a temática central do Palco Sonoro URCA/BNB: As múltiplas formas de interpretar a música de Luiz Gonzaga (Tributo ao Centenário de Nascimento do Rei do Baião).

2. As propostas de espetáculos deverão se inscrever no link do III Palco Sonoro URCA/BNB, localizado no site www.urca.br, ou pessoalmente na Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário – PRODUN da URCA, localizada na rua Cel. Antonio Luiz, 1161, Pimenta, Crato, Ceará, no de 28/06 a 3/07 de 2012. As inscrições na PRODUN-URCA deverão ser efetivadas no horário das 8 às 12 horas e de 14 as 17 horas. O resultado da seleção será divulgado no dia 6 de julho de 2012, através do site da URCA e por outros meios disponíveis.

3. As propostas deverão conter material de áudio e/ou vídeo com uma amostra do espetáculo, além de uma fotografia e de um release e/ou currículo do evento. Este material deverá ser enviado para o e-mail palcosonoro@gmail.com ou entregue diretamente no endereço especificado no item 2. Os inscritos que enviarem o material por e-mail deverão assegurar-se do seu efetivo envio. Para tanto, devem checar o recebimento de um e-mail da Coordenação do Palco Sonoro URCA/BNB acusando a recepção do material ou manter contato com a referida Coordenação, através do telefone (88)8813.0213 ou (88)3521.2832.

4. As propostas de espetáculos deverão ter a duração de uma hora, sem tolerância para menor ou maior duração.

5. Os espetáculos selecionados, no máximo de 20 serão programados para horário e dia determinados a critério da Coordenação do Palco Sonora URCA/BNB. Não haverá mudança da programação divulgada, salvo conveniência da Coordenação e com consentimento dos responsáveis dos espetáculos alvos dessa mudança.

6. Os espetáculos selecionados e efetivamente realizados, conforme normas, critérios e requisitos constantes deste Edital receberão uma ajuda de custo no valor de R$ 540,00(quinhentos e quarenta reais), já descontados os encargos e taxas de praxe. O pagamento da ajuda de custo será feita de acordo com previsão divulgada pela Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Cariri – FUNDETEC, situada na rua Teófilo Siqueira, 734, Pimenta, Crato, Ceará.

7. No ato de assinatura de contrato de compromisso para realização dos espetáculos, será divulgado e entregue aos responsáveis dos espetáculos o documento NORMAS DO PALCO, que regulamentará todo o procedimento da apresentação dos eventos artísticos.

Crato (CE), 27 de junho de 2012.

MARLENE MENEZES DE SOUZA                            CARLOS RAFAEL DIAS
COORDENADORA GERAL                      COORDENADOR DE PALCO INTERATIVO

Fonte: Assessoria de Comunicação da URCA

quinta-feira, 28 de junho de 2012

AGENDA CARIRIENSE DE ESPETÁCULOS ARTÍSTICOS – 28/06 a 01/07


Dia 28/06 (Quinta-feira)
Espetáculo Vórtice, com a Allyson Amancio Cia.de Dança e grupo Zabumbeiros Kariris (com coquetel de lançamento do CD com a trilha do espetáculo)
Horário: 20h00
Local: SESC Crato (Rua André Cartaxo)

Cordel no Cariri (60 Anos do Banco do Nordeste), com o poeta  João Bandeira
Local: Largo da Igreja do Rosário (Barbalha - CE).

Dia 29/06 (Sexta-feira)
Tributo a Luiz Gonzaga, com o grupo Zabumbeiros Kariris
Horário: 20h00
Local: SESC Juazeiro (Rua da Matriz, 227)

Rock cordel, com a banda Hostile Inc (Fortaleza)
Horário : 19h30
Local: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, Juazeiro)

Arraial no centro
19h30: Apresentação da Quadrilha Princesa do Cariri (Crato)
20h30 Apresentação da Quadrilha Arraiá do Patativa (Assaré)
21h30 Show com o Grupo Aluizio do Acordeon (Crato - CE). 60 min.
Local: Largo da RFFSA (Crato)

Dia 30/06 (Sábado)
Música vocal com Juliana Roza (Fortaleza)
Horário: 19h30
Local: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, Juazeiro)

Dia 01/07 (Domingo)
Show do Al Capone Tá É Bebo
Horário: 17h00
Local: Antigo Skate Park (Vila Alta, Crato)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bacharel em Letras


Certamente, nos  ficou como nesgas da Monarquia esta tendência tão brasileira de distribuir títulos honoríficos às pessoas , sem quaisquer outros atributos agregados além do massageamento de egos e a fermentação de vaidades por vezes adormecidas. Lembro-me ainda de uma infinidade de Coronéis da Guarda Nacional, títulos por vezes comprados e outros tantos distribuídos entre senhores feudais aqui do Nordeste. Empavonavam-se tanto com o galardão nossos avós e bisavós, mesmo que à suposta patente nenhuma honra militar se lhe anexasse. Aqui, qualquer médico, dentista, advogado imediatamente é elevado ao  título de Doutor.  A  Diretoria da mais simples Associação Comunitária elenca um número vultoso de cargos(  presidentes, diretores executivos, Vice-diretores, superintendentes, tesoureiros, secretários, etc) ; uma maneira política de resolver grandes conflitos envolvendo os mais rasteiros degraus da escada do poder. Boa parte das Instituições Brasileiras têm por hábito distribuir , periodicamente,  Prêmios, Medalhas e Troféus ; uma medida barata , cômoda e direta de  --- inflando a auto-estima do agraciado--- corrigir injustiças , fazer política de boa vizinhança, preparar o tráfico de influência futuro. No fundo, bem lá no fundo, qualquer um de nós facilmente é entronado no topo máximo da profissão. É que a vaidade humana é o mais profundo abismo da nossa alma. Não há trena ou balança neste mundo capaz  de medir e pesar a importância que o mais simples mendigo da nossa rua se dá. Há um Príncipe Ribamar e um Senador Epifânio dormentes em cada um de nós.
                                               Há, no entanto, em meio à  sensibilidade envaidecida do nosso povo, aqueles raros que têm o pé no chão e que não pegam corda como relógio de parede. Pois vou contar duas histórias do passado, relembrando ilustres figuras aqui do  Cariri  que terminaram engolidas pela voracidade do tempo. Espero que adociquem um pouco o fim de semana de cada um de vocês.
                                               A primeira envolve uma figura queridíssima em toda região e que fez vida política no Potengi, por muitos e muitos anos. Chamava-se Luiz Gonzaga  Alconforado, mas era conhecido por todos pelo dulcíssimo apelido de LUZIM. É o pai de um renomado Cardiologista da nossa terra : Dr. Orestes Guedes. Sério, digno, probo, orador inspirado, nosso personagem é de uma estirpe de políticos que não mais existe; desses que nunca se molhariam em qualquer Cachoeira. Seu Luzim estudou aqui no Crato, no Colégio Diocesano e , na época, a conclusão da 4ª. Série Ginasial, que hoje representa o término do  Ensino Fundamental , era motivo de uma Festa de Formatura de grandes proporções. Quem finalizava o Curso, na época, recebia inclusive um Título : “Bacharel em Letras”. Após a festa de conclusão, devidamente intitulado, seu Luzim foi passar as férias de final de ano no Potengi e receberam-no com festas, orgulhosos do desempenho do parente. O próprio Seu Luzim contava a história, com a sisudez e o bom humor que lhe acompanharam toda trajetória,: lá chegou vaidoso e serelepe com tantas honrarias. Lá para o meio do festa, seu avô, agricultor eirado e homem  simples do campo, empossado de todo pragmatismo que as dificuldades do dia a dia lhe foram proporcionando, resolveu, o velho . saber mais detalhes das culminâncias que o neto tinha alcançado.
                                               --- Meu filho, você é doutor mesmo de quê ?
                                               Luzim empertigou o peito e impávido respondeu:
                                               --- Sou Bacharel em Letras, vovô !
                                               --- Ah, já sei ! --Fitou-o o velho com olhar tranqüilo --  você agora vai receitar o povo , passar meizinha e encanar braço.
                                               --- Não, vovô ! Não sou médico , não ! Sou Bacharel em Letras !
                                               --- Ah, Luzim, já sei, agora você vai celebrar missa, casar e batizar!
                                               --- Vovô, não sou padre, não ! Sou Bacharel em Letras !
                                               --- Ah, compreendi ! – Saltou o avô. Você agora vai soltar gente da cadeia, lavrar petição  , tomar partido em questão de terra e briga de marido e mulher!
                                               --- Não , vovô, nada disso, não sou advogado, não ! Sou Bacharel em Letras !
                                               O velho, então, impacientou-se e feito o diagnóstico, providenciou o esporro:
                                               --- Bacharel em Letras ! Você não fique aí cagando goma , não, seu moleque ! Você num é porra nenhuma, tá ainda como peito de homem: não tem serventia prá nada! Vá estudar que esse tal de Bacharel em Letras é uma formatura muito da mucufa ! Tome tento, menino !
                                               A outra história envolve um grande professor cratense : José Fernandes Ribeiro Castro. Conterrâneo do nosso Patativa, o mestre veio ensinar no Colégio Diocesano nos anos 40 e se tornou o primeiro professor de Educação Física do Cariri e um dos primeiros do Ceará. Segundo o HD do Cariri,  Huberto Cabral, Fernandes fez-se o primeiro Diretor da Liga Cratense de Desportos. Vaidoso, vestia-se no mais fino linho e perfumava-se como um Dândi e terminou casando numa das mais tradicionais famílias da região: com uma filha do Dr. Antonio Teles.  Um dia, nosso gentleman invadiu a Livraria Católica de propriedade de dois outros amigos professores: Zé do Vale e Vieirinha e parecia radiante. Trazia na mão um telegrama do Governo do Estado, informando-o  da  boa nova :  acabava de ser nomeado  para um cargo de nome pomposo : Inspetor de Ensino. Os colegas prontamente o parabenizaram pela conquista, alguns mais desconfiados julgaram que ali haveria interferência política por parte do sogro que era Deputado Federal. Depois das tapinhas nas costas e da epidemia de congratulações, nosso mestre dirigiu-se diretamente a um barnabé antigo , Quinco Pinheiro, que , em meio à enxurrada  de cumprimentos, terminou-se sabendo já ter assumido a importantíssima função, em anos passados.
                                               --- E aí, Quinco ? Quanto levo, meu amigo ? Qual é o salário que se esconde por trás de  um Inspetor de Ensino ? --- Quis saber Fernandes.
                                               ---- F ernandes, rapaz. Esse cargo que você vai assumir é importantíssimo. Toda solenidade na região você vai ser imediatamente lembrado. Em todo comício você sobe no palanque do Governo. As Escolas vão a todo momento pedir sua interveniência junto ao estado para resolver suas demandas. É ótimo! Só tem um probleminha: É cargo  de alta relevância, mas não remunerado!
                                               José Fernandes, decepcionado, ainda perguntou umas três vezes, para ter certeza:
                                               ---Como? Como? Como? Só firula? Não tem dinheiro nesse negócio , não, é ?
                                               Calmamente  dobrou o telegrama nomeatório e o rasgou, pedacinho por pedacinho. Depois, jogou a pedaceira no cesto do lixo e proclamou:
                                               --- Acabo de ser demitido por justa causa !
                                               Terminei aprendendo. Diante dos elogios dos amigos, dos prêmios auferidos e dos títulos que vão caindo nas nossas mãos vida afora, refreio todo o empavona mento fácil , o orgulho besta e a vaidade contagiosa. Sei que não passo de um simples e antigo Bacharel em Letras.

J. Flávio Vieira

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Favela



                               A grande explosão das Redes Sociais trouxe consigo seus efeitos deletérios como  a chatice desenfreada das frasinhas de auto-ajuda, da religiosidade rasteira, das abobrinhas em larga escala. Mas, com o quadradismo com que os anos me foram achatando, tenho que reconhecer alguns benefícios inequívocos: a reaproximação de colegas e conterrâneos distantes e  , nos grupos, a democratização das fotos antigas do Crato. Recentemente, foi publicada uma que me pareceu interessantíssima. Mostrava o Crato Tênis Clube nos anos 60, com dois políticos locais importantes sentados numa mesa, num jantar festivo. Seguiram-se à foto uma imensidão de comentários afeitos todos às figuras importantíssimas que estavam no primeiro plano, numa homenagem, diga-se, justa e merecida. Pus os olhos na fotografia e, de chofre, divisei, no segundo plano, personagens que até então tinham sido totalmente esquecidos, dois garçons famosíssimos na cidade : Fuinha e Iguatu. Acredito que eles representam um pouco a tônica do meu pobre trabalho de cronista, aqui na região, nestes quinze anos em que venho escrevendo com alguma regularidade. Tenho a vista voltada sempre para o lado oficioso da cidade, até porque já existem historiadores de grande envergadura, bem mais abalizados,  para narrar a face mais visível e oficial desta terra. Interessa-me a face oculta: os poetas, boêmios, místicos,loucos, artistas  e beatos porque pressinto que  se a história oficial dá corpo à Vila de Frei Carlos, são estes outros que lhe imprimem a alma.
                                               E , neste sábado, venho fazer uma grande reverência a uma das figuras mais irreverentes deste Crato. Chamava-se  Manoel Favela Pantaleão, mas era conhecido, por todos os recantos dessa cidade, pelo sobrenome intermediário : Favela. Nasceu em Exu em 20 de Maio de 1924, há exatos 88 anos. Ainda rapazinho veio para o Crato e aqui fez o seu reinado. Alma boêmia, tornou-se músico e tocava seu instrumento nos cabarés da Rua da Saudade e, depois, acompanhou a saudosa rua nas suas mudanças , à medida que foi sendo engolida pelo progresso. Violonista admirado e incensado-- diziam que arpejava o violão até de cabeça para baixo-- junto com Pedro 21, tornou-se um mito. Levou seus acordes ainda para o nomadismo dos circos que por aqui passavam, acompanhando-os Brasil afora. Junto com a música foi tecendo toda uma mitologia de presepadas e chistes que terminaram por impeli-lo à área do folclore. Esposado pela Boemia, como bom Homem da Noite, nunca casou, teve um relacionamento com uma das saudosas Damas de Vermelho e ficaram   dois rebentos que hoje lutam pela vida no Sudeste.
                                               Favela foi, durante toda vida, um boêmio profissional, morava sozinho e, já velho, ainda utilizava todo dinheiro da aposentadoria com as bebidas e as mulheres. Há uns dois anos, foi premiado no Cariri da Sorte : mais de 30.000 Reais lhe caíram nas mãos. As sobrinhas orientaram-no para fazer uma poupança, guardar para os dias futuros. Favela não tinha vindo ao mundo como formiga, mas sim como Cigarra e respondeu-lhes com uma pergunta da mais profunda filosofia hedonista : Guardar ? Para levar para onde, meninas ? Meteu-se novamente em meio às namoradas e o álcool e não sossegou até transformar todo o pretenso tesouro em puro prazer.
                                               São inúmeras as presepadas que se foram colecionando a seu respeito. Vou elencar apenas algumas, na certeza que quase todo cratense que com ele conviveu, sabe de alguma munganga dessa figura célebre.
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                                               Favela gostava muito de freqüentar o Café de Roseno que nos anos 50-60 existia na Rua Bárbara de Alencar, onde hoje é o Ponto Dentário do inesquecível Maurício Almeida. A razão era simples, adorava um Doce de Banana de Botão que lá vendiam. Um dia , lá chegando, fez o pedido da terrina de doce e quando começou a comer, teve dificuldade de mastigar. Tinham usado bananas muito verdes e as rodelas tinham ficado duras demais para serem trituradas pelas próteses dentárias de Favela. Depois de alguns minutos, tentando em vão, rodando as peças de um lado para outro, ele reclamou cheio de razão:
                                               --- Não ! Não tem quem coma isso não! Eu pedi, Roseno, foi  doce de Banana, não foi Pedra de Gamão, não !
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                                               Antonio Favela , um irmão dele, trabalhava na Cantina do Oliveira e adorava ralhar com Manoel.  Um dia, vendo-o passar do outro lado da rua, resolveu mexer com ele e mandou o clássico xingamento :
                                               --- Manoel ! Vai ali na Praça Siqueira Campos prá ver se eu tou lá !
                                               Manoel, sem se alterar , responde na bucha:
                                               --- Vou já, Antonio, mas tenho que passar em casa primeiro !
                                               --- Em casa ?  Por quê ? -- Quis saber o irmão.
                                               --- Por que se tiver um cabestro eu já levo, prá não dá  duas viagens !
                                               Favela voltava de madrugada, violão às costas, após o show no Cabaré, quando foi abordado pelo terrível Major Bento. O militar foi um delegado violento da cidade que, numa determinada época, estabeleceu um Toque de Recolher por aqui. Vendo o músico quebrando o Toque, na rua àquelas horas , o abordou grosseiramente. Favela, então, explicou que era músico , que tocava nas Casas Noturnas da cidade e que  estava, pois, a trabalho à noite, aquilo era seu meio de vida. O Major não quis saber, ríspido falou:
                                               --- Me acompanhe, cabra !
                                               Favela, de pronto, sacou o violão das costas, dedilhou as cordas e respondeu:
                                               --- Pois não, Major! Em que tom ?
                                               Antonio Primo de Brito é uma das memórias mais prodigiosas desta cidade e  foi grande amigo de Favela. A mor parte destas histórias foram  a mim repassadas por ele. Um domingo, Favela chegou cedinho na  casa do ex-prefeito . Pediu R$ 100,00 emprestados. Precisava pagar uma dívida de última hora. Antonio Primo  remexeu os pertences e só encontrou R$ 50,00. Meio a contragosto avisou-o da triste novidade. Favela não se enrolou:
                                               --- Tem problemas ,não, Antonio! Me dê os R$ 50,00! Você é um homem direito e vou confiar em você, depois você me paga os outros R$ 50,00.

                                               De outra feita, Favela acompanhou a seleção do Crato que aí pelos anos 70 ia jogar em Baturité. O motorista do ônibus de carreira era uma outra figura antológica : Moço Lídio. O coletivo vinha apinhado de passageiros e viajava à noite. Favela—que tinha problemas de dormir naquelas horas—resolveu ir lá para frente, ficou sentado conversando com o motorista. Já chegando na cidade de Independência, numa grande descida da serra, o carro deu um estralo e embalou, ladeira abaixo. Tinha quebrado o freio. Moço Lídio foi aprumando e sustentando o veículo como podia, para ver se conseguia chegar à cidade de Independência, lá embaixo, o que seria a única salvação possível. Favela manteve-se impassível. Nisto, uma senhora passageira percebeu o estralo estranho , a velocidade e o risco que estavam passando, correu lá prá frente aflita e gritou:
                                               --- Valei-me meu Deus ! Motorista,  o que isso significa ? Diga !
                                               Favela, sentado, tranqüilo, resumiu para ela o problema:
                                               --- Ora, minha Senhora : Independência ou Morte !
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                                               No dia doze de janeiro último,  o violão silenciou. A velha Rua que um dia chamou-se Saudade perdeu uma de suas vozes mais poderosas. E a história sentimental da vila que um dia foi tão fértil e verdejante , hoje , mais que nunca , se transformou em Favela.


J. Flávio Vieira