Aos que virão!

Quer queiramos ou não, os mitos alimentam os nossos sonhos e justificam a nossa existência.
Este blog reverencia os mitos deste nosso Cariri Encantado.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"O CINEMATÓGRAFO HEREJE' - REAPRESENTAÇÃO


I MOSTRA DE CINEMA E VIDEO DE CRATO

REAPRESENTAÇÃO :

DIA - SEXTA - FEIRA ( 17 DE JUNHO)

HORA- 19:00

LOCAL - CINE TEATRO MODERNO

IMPERDÍVEL !

Programação da I Mostra Crato de Cinema e Vídeo - 15/06, Quarta-Feira

9h - Exibição de curtas:
- “Dona Ciça do Barro Cru”, de Jefferson de Albuquerque Jr. - 12’;
- “A ordem dos Penitentes”, de Petrus Cariry - 25’;
- “Também sou teu Povo”, de Franklin Lacerda - 15’;
- “Água, pra que te quero? ”, de Nívea Uchoa - 16’.

14h - Exibição de curtas:
- “Os Olhos da Chapada”, de Franciolli Luciano - 20’;
- “O Drama”, de Franklin Lacerda - 28’;
- “Dzu´nhurae, O Filho das Águas”, de Pachelly Jamacaru - 15’.

19h - Exibição de filmes:
- Curta “O Auto de Leidiana”, de Rosemberg Cariry - 26’;
- Longa “Fronteira das Almas”, de Hermano Penna - 90’.

Local: Cine-Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva – Calçadão da Rua José de Alencar, Centro, Crato.

ENTRADA FRANCA

Realização: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude.

Apoio: Universidade Regional do Cariri (URCA), Instituto Cultural do Cariri (ICC), Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA), Bantim Produções, Blog do Crato e Revista Chapada do Araripe.

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO SONORIDADES (15/06/2011)


Abidoral Jamacaru: O Menestrel do Cariri
Abidoral Jamacaru, cantor e compositor natural do Crato, com mais de 40 anos de carreira, lançou seu primeiro disco há 23 anos, com o título de Avallon, apontado pelos críticos como um dos principais trabalhos da música popular cearense daquela década pouco produtiva. Depois, lançou mais dois discos: O Peixe, em 1998, e Bárbara, em 2009.

Remanescente da época dos lendários festivais regionais da canção, que ocorreram em Crato durante a década de 1970, Abidoral tentou uma carreira nacional, quando residiu no Rio de Janeiro, entre os finais dos anos 70 e início da década de 80. Neste período se relacionou musicalmente com compositores, músicos e letristas da MPB, como Jards Makalé, Lula Cortes, Hebert Viana e Xyco Chaves.

De volta ao Cariri, dedicou-se à composição, realização de shows e gravação de discos. Também, é professor de violão e ativista cultural na cidade do Crato.

O programa Cariri Encantado de hoje tocará somente músicas de sua exclusiva autoria (Lá de dentro, Pra ninar o Cariri, Canto de coco pra Azuleika e Asa Branca, No apogeu do sol etc) e fará uma entrevista ao vivo com este cantor/compositor que é considerado o Menestrel do Cariri.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mostra comemora cinema no interior

Diário do Nordeste

Jackson Bantim exibe um projetor antigo, que já compôs os equipamentos dos velhos cinemas do interior . FOTO: ANTÔNIO VICELMO

Crato - Aberta ontem, neste Município, a I Mostra de Cinema e Vídeo, em comemoração aos 100 anos de implantação do primeiro cinema do interior do Ceará, o "Cinema Paraíso", que foi inaugurado no dia 3 de maio de 1911 pelo italiano Vittorio di Mayo. O evento é promovido pela Secretaria de Cultura do Município, em parceria com a Universidade Regional do Cariri (Urca), cineastas cratenses, e reúne mais de 30 trabalhos, dentre curtas e longas-metragens produzidos exclusivamente por cineastas do Crato ou que possuem ligações com a cidade.

A Mostra está sendo realizado no Teatro Municipal Salviano Saraiva. A entrada do Teatro foi decorada com dois projetores de filmes que pertenceram ao Cine Moderno, de propriedade do empresário Macário Monteiro, que será homenageado no evento. Na primeira noite, foi feita uma leitura dramática sobre "Os Primórdios do Cinema no Crato", entrega do Selo Cultural do Araripe - Troféu Vittorio di Maio; Avant-Premiére do tele-conto "O Cinematógrafo Herege", de Jefferson de Albuquerque Jr., ancorado num conto do médico José Flávio Vieira.

A partir de hoje serão apresentados os trabalhos de cineastas cratenses como "As Sete Almas Santas Vaqueiras", de Jackson Bantim; "Corisco e Dadá", de Rosemberg Cariry; "Sargento Getúlio," de Hermano Penna; que estarão lado a lado com o cinema produzido pela nova geração, como "Caldeirão do Beato Zé Lourenço", de Catulo Teles e Franciolli Luciano; "Também sou teu Povo," de Franklin Lacerda e Orlando Pereira, e "Cerca", do cineasta Glauco Vieira, além de vários outros.

O médico José Flávio Vieira espera que o evento contribua para revitalizar os velhos cinemas que foram desativados. Ele acrescenta que o próprio Teatro do Crato pode ser adaptado para as exibições de filmes.

O músico e fotógrafo Dihelson Mendonça recorda que, quando inauguração do primeiro cinema do Cariri, já circulavam pelas suas ruas alguns exibidores ambulantes, utilizando-se de um aparelho conhecido como Bioscópio e da Lanterna Mágica, com discos e placas de vidro com gravações de imagens. Esses equipamentos garantiam a atração no interior.

Antônio Vicelmo
Repórter

Programação da 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo - Dia 14/06, Terça-feira

19h - Exibição do curta “As Sete Almas Santas Vaqueiras”, de Jackson Bantim - 30’

Exibição do Longa “Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry” - 82’

Local: Cine-Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva – Calçadão, Centro, Crato

ENTRADA FRANCA

Promoção: Governo Municipal do Crato – Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude

Apoio: Universidade Regional do Cariri - URCA, Instituto Cultural do Cariri - ICC, Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados (OCA) e Jackson Bantim Produções Artísticas

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Todos à 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo!


Programação da Abertura da 1ª Mostra Crato de Cinema e Vídeo

13/06, Segunda-feira

19h - Abertura Oficial

• Leitura Dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato” - com Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia”

• Homenageados com o Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Mayo

1. AVANT PREMIÈRE do tele-conto “O Cinematografo Herege” - de Jefferson de Albuquerque Jr, numa livre adaptação do conto homônimo de José Flavio Vieira

• Coquetel

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um celular de estimação - Emerson Monteiro

Ele possui a barriga estreita. Diariamente deverá passar algumas horas pendurado na tomada recebendo carga habitual, senão na rua logo me deixa na mão, de comum nas situações inesperadas. Acostumei com isso, indócil mania paraguaia de celular cuja carga dura pouco. De dois chips, atende com fidelidade às operadoras, mesmo sabendo que dormirá cedo, bem no início da noite. Segue comigo, acima e abaixo, nas pelejas dos comportamentos animais, dócil e inevitável. Mas sei que traz guardado nas estranhas o grave defeito de ter a bateria curta. Ainda assim cumpre seu papel de comunicador estratégico desta fase do tempo quando quase ninguém escapa de transportar, no bolso ou na bolsa, esse treco bisbilhoteiro, facilitador de circunstâncias e redutor das fronteiras.

O noticiário da semana passada, por exemplo, falou dos riscos e prejuízos à saúde do alienígena, quando usado com regularidade e maior intensidade, estudos ora desenvolvidos a confirmar, em face das ondas que emite e recebe. Maquininha familiar, depois dele mudaram costumes e medidas. Poucos passam impunes diante das artimanhas do monstrinho, que hoje, no Brasil, já ultrapassa o número de habitantes. Quanto crime sujeita incentivar. Quanta vida salvará, antes do pôr do sol. Misto de brinquedo traquina e lâmpada maravilhosa, o propulsor da civilização contemporânea desmancha os obstáculos ao progresso, artefato nunca visto com tamanha força de vulgarização nas classes sociais; e, máquina de tais proporções transformadoras, pois facilita que é uma beleza tudo em volta, conquanto demonstração do engenho humano às raias do infinitamente pequeno, sem fugir aos encantos que proporciona, estreitando amores apaixonados, monitorando filhos e sequenciando negócios. Aonde chegar ser humano, alguém buscará sinais abençoados dos equipamentos digitais.

Traçado que democratizou o poder da ciência, o celular serve de símbolo do quanto andaram os circuitos eletrônicos a serviço da sociedade, agora desenvolvida através de novos aparelhos dotados das inúmeras funções, espécies de computadores populares transpostos de mão em mão.

Daí a pergunta crítica de saber quem manda, se o homem ou a máquina, tabu da Era Industrial. Tipo fertilizador das emoções, pouco pesa saber a resposta do invasor que criou dependência e raros dele escapam.

No entanto armam-se paralelos. As recargas todo dia que humanos também necessitam, e no dormir carregamos a bateria. No sonho, na oração, na esperança, alimentamos a viva vontade dos sentimentos, neste frio das relações mecânicas para vencer as interrogações da existência, apesar dos muitos meios que o homem desenvolveu e quase nada melhorou em termos da própria fraternidade.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Programação Oficial da I Mostra de Cinema e Video de Crato


13/06 - Segunda

HORA

DESCRIÇÃO

Duração

19h

Abertura Oficial

· Leitura Dramática “Os Primórdios do Cinema no Crato” - com Luiz Carlos Salatiel e Kelvya Maia”

· Homenageados com o Selo Cultural do Araripe – Troféu Vittorio di Mayo;

1. AVANT PREMIÈRE do tele-conto “O Cinematografo Herege” - de Jefferson de Albuquerque Jr, numa livre adaptação do conto homônimo de José Flavio Vieira;

· Coquetel

28´

14/06, Terça-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

19h

2. Exibição do curta: “As Sete Almas Santas Vaqueiras”- de Jackson Bantim

3. Exibição do Longa:“Ave Poesia”- de Rosemberg Cariry”



30’

82’

15/06, Quarta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

4. Exibição do Curta: “Dona Cíça do Barro Cru” – de Jefferson de Albuquerque Jr.;

5. Exibição do Curta: “A ordem dos Penitentes”- de Petrus Cariry;

6. Exibição do Curta: “Também sou teu Povo”- de Franklin Lacerda e Orlando Pereira;

7. Exibição do Curta: “Água pra que te quero?”- de Nívea Uchoa;

12’

25’

15’

16’


14h

8. Exibição do Curta: “Os Olhos da Chapada”- de Franciolli Luciano;

9. Exibição do Curta: “ Drama”- de Franklin Lacerda, Ana Rosa Borges (Roteiro);

10. Exibição do Curta: “DZU´NHURAE- O Filho das Águas ‘, de Pachelly Jamacaru;

11. Exibição do Curta: “Crato” – de Virgínia Soares – Produção IMAGO (URCA)

15’

20’

28’

50’

19h

12. Exibição do Curta: “O Auto de Leidiana”- de Rosemberg Cariry;

13. Exibição do Longa: “Fronteira das Almas” - de Hermano Penna;

26’

90’

16/06, Quinta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

14. Curta da ONG ” VERDE VIDA” I –

Mestres da Cultura de Genivan Brasil e Paulo Fuísca

15. Curta da ONG ” VERDE VIDA” II –

Box de Vídeos do Verde Vida

14h

´

15h10

16. Exibição do Curta: “Matando a Fome”, de Franciolli Luciano;

17. Exibição do Curta: “Músicos Camponses”- de Jefferson de Albuquerque Jr.;

18. Exibição do Curta: “Chapada do Araripe - Como foi, como será? (parte III)”, de Jefferson de Albuquerque Jr.;

19. Exibição de Curta: “Seu Mundô – O Guardião da Floresta” – de Laerto Xenofonte;

Roda de Conversa: “Estórias de Cinema- Colóquio com cineastas, produtores, atores e cinéfilos. Reativação do Cine-clube Crato”;

5’

12’

30’

16´

19h

20. Exibição do Média: “Formação Romualdo, o Milagre Paleontológico”- Documentário de Jackson Bantim e Álamo Feitosa;

21. Exibição do Longa: “Corisco e Dadá” -de Rosemberg Cariry;

22’’

90’

17/06, Sexta-feira


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

9h

22. Exibição de Curta: “Caldeirão do Beato Zé Lourenço” – de Catulo Teles e Franciolli Luciano;

23. Exibição de Curta: “Cerca” – de Glauco Vieira;

24. Exibição de Média: “A Enchente do Crato”- de Joaquim dos Bombons;

15´

15´

1h

14h

25. Exibição de Média: “Lua Cambará” – de Ronaldo Correia de Brito;

26. Exibição de Curta:“Cabaré-Memória de Uma Vida”- Alexandre Lucas / Coletivo Camaradas;

27. Exibição de Curta:“Catadores de Pequi”- de Zuiglio Brito e LaislaYanael;

1h

15´

12´

19h

28. Exibição do Curta: Dez anos do Chá de Flor “- de Cristina Diogo e Maria Dias/Juriti Produções;

29. Exibição de Longa: “O Grão”, de Petrus Cariri;

15’

90´

18/06, Sábado


HORA

DESCRIÇÃO

Duração

17h

30. Exibição de Longa: “Sargento Getúlio“- de Hermano Penna;

90´

19h

31. Exibição de Longa: “Padre Cícero” – de Helder Martins;

90´

20h30

Encerramento

VEM AÍ a nossa I MOSTRA DE CINEMA E VÍDEO!


Começa dia 13 de junho, segunda-feira. A gente quer comemorar festivamente os 100 anos do Cine Paraíso instalado aqui no Crato, em 3 de junho de 1911 pelo italiano Victorio di Mayo. Divulgaremos a programação aqui no blog. Aguardem! (Por Luiz Carlos Salatiel).

terça-feira, 7 de junho de 2011

Valeu !

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO – SONORIDADES (08/06/2011)

Jefferson Gonçalves: Encruzilhada de Sons


O carioca Jefferson Gonçalves começou a carreira no início da década de 1990, seguindo por um caminho comum a muitos gaitistas: o blues. Fundou a banda Baseado em Blues e o trio acústico Blues Etc., gravou com artistas de diferentes gêneros e se consolidou como um dos mais completos nomes da gaita no País.

No entanto, o blues não foi fator limitante para Jefferson. O gaitista identificou traços muito semelhantes entre a música negra norte-americana e a do Nordeste brasileiro, baseada nos ritmos de forró, como o baião, o xaxado e o xote. E essa percepção alargou-lhe os horizontes.

Em 2003, Jefferson Gonçalves ministrou o primeiro curso de gaita em Nova Olinda, cidade do Cariri cearense. Desde então, vem periodicamente ao Cariri, principalmente para Nova Olinda, mas também para o Crato, ministrar oficinas de formação musical para crianças e jovens da Fundação Casa Grande e do Projeto Nova Vida, este situado na zona rural cratense.

E foi em Nova Olinda, no último sábado, 4 de junho, que fomos encontrar Jefferson Gonçalves, em meio ao Encontro Musical Ibero-Americano que movimentava aquela bucólica cidadezinha.

Com a generosidade que lhe é peculiar, Jefferson Gonçalves nos concedeu uma entrevista de meia hora de duração, tendo como pano de fundo a apresentação de um grupo de reisado local. E mais: presenteou-nos com o seu novo disco Encruzilhada, com direito a dedicatória.

Pela sua representatividade como um dos expoentes do blues tocado no Brasil, e pela sua relação com a região do Cariri, o programa Cariri Encantado presta, pela segunda vez, homenagem a este músico que une talento musical e exercício de cidadania, neste especial intitulado “Jefferson Gonçalves: Encruzilhada de Sons”. Nele, será veiculada essa inédita e exclusiva entrevista, feita especialmente para o programa, além de uma seleção desse seu novo registro musical.

Onde escutar
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

URCA receberá acervo de periódicos da Câmara dos Deputados

O campus da URCA estará recebendo um dos maiores acervos de periódicos do Brasil, o acervo de periódicos da Câmara dos Deputados. Aproximadamente 100 caixas já chegaram ao Crato no mês passado, e uma carreta sairá de Brasília levando outra parte do acervo, que dotará o Cariri talvez como o maior do Estado do Ceará.

Nessa parceria da Fundação Enoch Rodrigues/ECOCÂMARA/Câmara dos Deputados, os responsáveis pela iniciativa vêm procurando dar ao Cariri um referencial de pesquisa que possa suprir a Região da pouca atenção que recebeu durante todos esses anos, levando aos estudantes um suporte que dê condições de um trabalho com mais subsídios.

Além da preocupação de Elmano Rodrigues Pinheiro, somou-se a inquietude do Prof. Jackson Antero, sempre atento às necessidades da Universidade, tão carente de tudo.

Aos poucos foram ganhando a confiança das autoridades e da população de Brasília, e hoje já têm firmado ótimas parcerias, que se transformam em ganhos bastante expressivos, motivo de destaque em congressos e na imprensa, quando tratados assuntos ligados à difusão cultural e à formação de bibliotecas comunitárias pelo Brasil.

Quando a Fundação Assis Chateaubriand, do grupo Diários Associados, procurou para fazer doação de acervos, foi que começaram a perceber a importância do trabalho do cearense Elmano Rodrigues.

Hoje, com a Arca das Letras do Ministério do Desenvolvimento Agrário ajudando com acervos, a ESAF - Escola de Administração Fazendária auxiliando os órgãos públicos com doação de mobiliário, e centenas de pessoas que procuram diariamente trazendo incentivo, é que o responsável por tão expressiva ação cultural, nessa luta, coloca tudo de seu próprio bolso para cobrir despesas, acreditando no sucesso da empreitada.

Para Elmano Rodrigues, suas providências lhe permitem uma felicidade imensa, quando vê os amigos dos mais diversos quadrantes nacionais fazendo a divulgação do seu trabalho, porque sabe que outras pessoas receberão essa corrente positiva em prol dos nossos semelhantes nos distantes rincões do solo pátrio.

A Cesta Básica de Cultura e Conhecimento é uma prova cabal disso tudo, pois já contempla com 60 obras dezenas de autores que em breve farão parte das 10 mil Arcas das Letras espalhadas por todo o Brasil.

E a caminhada continuará fornecendo o pão do espírito para aqueles que tanto dele necessitam.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Atualizar a Paz - Emerson Monteiro


Nada mais fora de moda que pensar em guerra, agressão e tristeza. Andar nas calçadas sujas sem os horizontes da tranquilidade. Seguir as burrices dos traçados obscuros. Pisar as flores, invés de olhar por onde pisa. De cabeça nas nuvens, sair machucando o coração dos pedestres no leito das estradas. Chegar onde, visar o quê, em que direção sonhar, quando o mundo gira bonito no espaço? Os pássaros cantam nas campinas. Meninos brincam leves e soltos nos jardins.

Falar mal por quê? Para, esquecidos das oportunidades boas, rodar a roleta da sorte e perder toda vez, no final de todas as batalhas. Fama de mau e chegar de olhos vesgos nas portas dos presídios. Andar fugindo das fiscalizações da consciência. Tudo isso a preço de coisa alguma. Só remorsos posteriores fecham o beco dos dramas abandonados nas esquinas do passado.

Sim, entoar o coro das harmonias universais em nome da falta de jeito. Amargurar várias e dores antigas no centro do peito, dentro dos pulmões amargurados de fumaça. Desencontros não falam na paz dos territórios da alma. Contar histórias diferentes, por tudo isso. Buscar amigos, cultivar a boa vizinhança, o que coisa alguma justifica dores de outros partos. Discutir por picuinhas, desfazer das outras criaturas em face do orgulho, da inveja e do ciúme, quanto despautério. E por causa dos dinheiros que correm soltos também não esclarece o motivo da ausência da paz em tantos sentimentos, neste mundo bonito e desprezado pela falta dos planos na paisagem das manhãs ensolaradas.

Paz, harmonia, desejos de construções coletivas. Amar, meus irmãos! O que Jesus tão bem nos ensinou através das práticas, neste mesmo chão das raras possibilidades. Jesus, o Mestre da Paz, no meio dos séculos da guerra dos poderosos. Jesus, a lição viva da Luz na sociedade dos homens.

Criar núcleos de solidariedade, fraternidade que produz futuros certos e filhos envoltos nos sonhos das realizações plenas. Atualizar o gosto bom da Justiça no seio das comunidades. Equilibrar as energias e lembrar as alternativas puras da Verdade e o crescimento.

Escolher lado limpo nos costumes, corrigir os vícios e trabalhar a correção do comportamento de todos, a começar de um em um; somar os valores que revelarão as novidades da Virtude. Tarefas individuais expõem métodos para transformar a face do Universo no rosto de cada pessoa. Uma chance para a Paz no mais íntimo ser da Criação.

Dar o primeiro passo, fazer o primeiro gesto, hora essencial de buscar o melhor, portanto e por tudo. Nos céus, a Esperança, modos outros que descobrirão as imensas qualidades que habitam acesos os espaços da nossa querida Humanidade.

O Paraíso de Vittorio Di Maio


"O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus."

(Federico Fellini)

Idos de 1926, Fortaleza. Praça do Ferreira, o coração da capital cearense. À tarde um velhinho , carregando tropegamente o peso dos seus setenta e quatro verões, pobremente vestido, tentava evitar a queda que se prenunciava a cada passo dado, arrimando-se numa tosca bengala. De repente, a gravidade, por fim, fez valer a sua força e o ancião tomba na calçada do antigo “Art Noveau”. Os transeuntes demoraram a perceber que não se tratava de um tombo qualquer, aos poucos , desinteressadamente, notaram: o velhinho não mais fazia parte do mundo dos vivos, fora fulminado por um ataque cardíaco. Ali permaneceu, exposto à curiosidade pública, totalmente anônimo e desprovido de recursos, uma das mais históricas figuras da cultura brasileira. Por ironia do destino,pobre, findava seus dias na mesma calçada em que deu à luz à sétima arte em terras de Alencar.

Chamava-se Vittório di Maio. Nascera em Nápoles na Itália em 1852. Sabe-se lá porque aportou no Brasil, o certo é que por aqui chegou em fins do Século XIX. Os primórdios do Cinema tinham acontecido em Paris em 1895, com os Irmãos Lumière e no ano seguinte já se tinha repetido a experiência inovadora no Rio de Janeiro. O Cinema nacional, no entanto, começaria com aquele napolitano magricela. Em 1º. De Maio de 1897, na Cidade de Petrópolis, no Teatro Cassino-Fluminense, Vittorio di Maio, exibiu, no seu “Cinematógrafo”, os primeiros filmes feitos em terras tupiniquins. Quatro Curtas-Metragens, neles apareciam: uma artista circence, uma apresentação infantil de um colégio do Andaraí, o terminal de bondes de Botafogo e a chegada de um trem na estação de Petrópolis. Di Maio fez-se expositor ambulante, mas fundou Cinemas em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul , na Bahia e os vento do destino terminaram por ligá-lo definitivamente ao Ceará. Vittorio talvez tenha sido levado a interiorizar a sétima arte por conta da forte concorrência que terminou surgindo no Sul e Sudeste, só na década seguinte à apresentação pioneira e histórica de Petrópolis surgiram mais de 20 salas de espetáculos no Rio e outras tantas em Sâo Paulo.

O certo é que Di Maio chegou em terras cearenses em 1907. Por aqui já se ensaiavam, na capital, os primeiros rudimentos de Cinema : o Bioscópio que foi introduzido em Fortaleza por um outro italiano : chamado Paschoal. Ele exibia pequenos rudimentos cinematográficos como : “Jubileu da Rainha Vitória” e “Os Pombos de São Marcos”. Outros Bioscópios se seguiram : um trazido por Arlindo Costa, colocado num paredão existente na Rua Major Facundo; um outro na Praça do Ferreira e outro num prédio onde depois funcionou a Faculdade de Farmácia do Ceará. No Crato, no mesmo período, aqui já chegou a novidade, trazida por Luiz Gonzaga – o Gozaguinha que foi o nosso primeiro fotógrafo . Gonzaguinha fora a Fortaleza comprar material fotográfico e trouxe a novidade para o Crato. Instalou a “Lanterna Mágica” na primeira sede do Grupo Teatral “Os Romeiros do Porvir” que fora fundado por Soriano de Albuquerque em 1902 e de que Gonzaguinha fazia parte. A sede existia num casarão da Rua Miguel Limaverde e causou frisson na cidade, uma vez que a magia tinha que acontecer no escuro e facilitava os namoros, as apalpadelas, numa vila ainda profundamente provinciana.

Pois no mesmo 1907, Di Maio, trazia consigo uma verdadeira evolução da sétima arte : “O Animatógrafo” e fundou, em Fortaleza, o nosso primeiro Cinema ,nos fundos da Maison Art Nouveau, no mesmo local onde, vinte anos depois , cairia fulminado pelo enfarte. Em 1909 duas outras salas foram erguidas em Fortaleza : o Cine Rio Branco, por Henrique Mesiano e o Cassino Cearense por Júlio Pinto.

Há exatos cem anos, em 03 de junho de 1911, Di Maio ligou definitivamente seu nome à história do Cariri, inaugurando em Crato o “Cinema Paraíso”, o primeiro de todo interior do Ceará. Apenas dezesseis anos após a primeira exibição mundial de um filme, o Crato já possuia um cinema. A sala situava-se na Praça da Sé, defronte ao prédio do Museu, onde antigamente funcionou a Biblioteca Municipal e, ultimamente, uma botique e os bares “Guardinha” e “João Penca”. A tela ficava do lado oposto ao do Museu e a sala de projeção num sobrado pequenino que olha para a Fundação J. De Figueiredo Filho. Segundo Florisval Mattos : “inaugurou o cinema Paraíso o filme Borboletas Douradas. Um dos assistentes contou-me que as borboletas apareciam voando, e, quando pousavam, invés de borboletas eram mulheres…”.

O Cinema marcou definitivamente a vida da nossa cidade. Foi o primeiro veículo de mídia visual que tivemos. Sucederam-se outras salas de espetáculos: O Cassino Sul Americano em 1918, O Cine Moderno em 1934 , o Cine Araripe nos Anos 50 e o Cine Educadora já nos anos 60. Di Maio nem percebeu, em vida, a revolução que trouxe para as terras de Frei Carlos. De repente a magia começou a nos despertar para o mundo com suas possibilidades e complexidades. Mudaram os costumes, o escurinho propiciou todo um clima para os namoricos dos nossos avós. Muitas gerações terminaram profundamente marcadas pelo encanto da telona, basta ver a invejável quantidade de cineastras que saíram das terras de Frei Carlos : Hélder Martins, Ronaldo Correia de Brito, Jéfferson Albuquerque,Francisco Assis, Hermano Penna, Rosemberg Cariri, Luiz Carlos Salatiel, Bola Bantim, Pedro Ernesto Osterne, Petrus Cariri, José Roberto França,Glauco Lobo, Virgínia, Fernando Garcia, Francioli Luciano, Wanderley Vancillus,Franklin Lacerda, Alexandre Lucas, Émerson Monteiro, Luiz José e tantos, tantos outros.

Hoje a cidade que foi o berço do cinema em todo interior do estado, não possui mais uma sala de espetáculo sequer. O cinema hoje é para ser apreciado por uma elite nas fechadas salas de shopping ou sob a redução impensável do DVD e do Blue-Ray.Di Maio foi totalmente esquecido por uma região que tem uma amnésia toda preferencial por nossos vultos realmente importantes. A maior homenagem que podemos prestar a Di Maio neste centenário do cinema no Cariri seria reabrir nosso novo Cine Teatro Moderno para exibição de filmes clássicos nacionais e estrangeiros, com porta aberta. Aí, quem sabe assim , o filme da nossa cidade terminasse com um final apoteótico e feliz e o Cinema Paraíso , cem anos depois, nos transformasse numa Cidade Paraíso.

J. Flávio Vieira