Aos que virão!

Quer queiramos ou não, os mitos alimentam os nossos sonhos e justificam a nossa existência.
Este blog reverencia os mitos deste nosso Cariri Encantado.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Preço da cruel imbecilidade - Emerson Monteiro


Quando, tal qual agora, cresce no ar nova e preocupante crise da economia mundial vêm à tona algumas avaliações no principio da inteligência dos seres humanos. Desde considerar a ausência de sentido de os países ricos insistirem tanto na mania atrasada dos investimentos nas armas, que domina os motivos principais da sede sanguinária do poder das nações, ao alimentar com sangue os mercados qual razão de justificar os gastos astronômicos da máquina da guerra espalhada no Planeta, em guerras de conquistas e espoliações alucinadas.

Em 2006, há cinco anos atrás, os custos militares chegavam a 1,2 trilhão de dólares, longe de qualquer esperança de redução devido ao ímpeto de matar os semelhantes, o que vigora nos senhores dos regimes, sobretudo ocidentais. Em 2010, esses custos subiram à casa de 1,5 trilhão de dólares, margem que passa além disto, face aos números secretos não divulgados e às destruições em massa acarretadas pelo fogo das batalhas, em detrimento das vidas preciosas eliminadas em consequência, de valor inestimável.

Quanto a uma noção do que seja essa quantia no valor das cotações do dólar comercial de hoje (08 de agosto de 2011), equivale a 2,4 trilhões de reais, ou seja, 16 vezes o total de toda a moeda circulante no Brasil, que é de 144 bilhões de reais.

Desponta nisso a crise propalada capitalismo liberal, que invade a Europa, berço dourado da civilização do Ocidente, e chega aos Estados Unidos, a sofrer com a redução nos índices de credibilidade nas bolsas internacionais.

Em avaliações feitas ainda no século XIX, o cientista político alemão Karl Marx profetizava transformações radicais na história devido à luta das classes sociais, impasse que se estabelece por causa da divisão injusta das riquezas, de difícil solução.
Os traumas do egoísmo que alimenta esta desunião, qual instrumento de terror e opressão pela força das armas, milênios afora, serve de pretexto e sacrifica as bases do equilíbrio da pirâmide, que arraste inconsciente o peso do materialismo cego adotado todo tempo.

Por isso, as crises da sociedade mostram a cara dos líderes da ocasião e suas atitudes imbecis, nas tragédias deste chão de dolorosas contradições.

Enquanto as armas significarem, pois, a maior indústria da Humanidade não haverá diálogo entre as pessoas para a solução dos males morais, em detrimento dos direitos e da humana felicidade.

E concluo citando Ruy Barbosa com esta frase: Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.

domingo, 7 de agosto de 2011

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO SONORIDADES – 10/08/2011

Conexões musicais: Tim Maia, o síndico da MPB

Sebastião Rodrigues Maia, popularmente conhecido como Tim Maia, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de setembro de 1942, e faleceu em Niterói, no dia 15 de março de 1998. Cantor e compositor, Tim Maia foi um dos pioneiros na introdução do estilo soul na MPB e um dos maiores ícones da música no Brasil. Suas músicas eram marcadas pelo seu vocal grave e afinadíssimo, composições bem elaboradas, letras inteligentes e arranjos inovadores, executados sempre com o auxílio luxuoso de um time de músicos competentíssimos.

O programa Cariri Encantado Sonoridades, desta quarta-feira, 10 de agosto de 2011, apresentará uma seleção de composições de autoria de Tim Maia ou por ele interpretadas, compilada a partir de três discos antológicos do cantor: o de estréia, lançado em 1970; o segundo, de 1971, e o ainda raríssimo e pouco compreendido disco Tim Maia Racional Vol. 01, de 1975.

Vale a pena ouvir sempre que se possa esse monstro sagrado da MPB a quem Jorge Benjor trata de carinhosamente de o “síndico” do Brasil.

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é transmitido todas as quartas-feiras, das 14 as 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e pela Internet: www.radioeducadoradocariri.com.

Prof. Virgílio Arraes, da UNB, faz palestra na URCA


O Salão de Atos Prof. José Newton Alves de Souza, no Campus do Pimenta da URCA, em Crato, estava completamente lotado, ainda com algumas dezenas de pessoas em pé nas alas de passeio laterais. O motivo de tanta gente reunida era a palestra do renomado especialista em relações internacionais contemporâneas e política externa do Brasil e catedrático de História da Universidade de Brasília, professor Virgílio Caixeta Arraes. O público era formado basicamente por alunos e professores do Curso de História da URCA, mas também por alunos de outros cursos da IES, como os de Ciências Econômicas, além de interessados em geral.

Pontualmente as 19 horas do dia 1 de agosto, o prof. Virgílio Arraes começou a sua palestra sobre a política externa dos EUA, no período compreendido entre 1991 até o presente momento. Portanto, uma época de intensa atuação dos norte-americanos no campo bélico, vide a Guerra do Golfo, a intervenção dos Estados Unidos na guerra civil que dilacerou a antiga Iugoslávia e os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que motivaram o Império Ianque a invadir o Afeganistão e o Iraque, na pretensa luta do bom americanismo contra o “Eixo do Mal”, como assim justificou o então presidente George W. Bush aquelas expedições militares que reuniu uma coalizão de até 45 países.

Com a preocupação de se fazer entendido pela eclética platéia, o prof. Virgílio Arraes usou de muito didatismo para explicar as complexas relações internacionais do mundo contemporâneo, com equilíbrio nas opiniões que complementavam os precisos dados apresentados. Também, vez por outra, engraçadas tiradas de humor.

Ao final, instaurou-se um profícuo debate, onde o palestrante respondeu a todos os questionamentos advindos do público. A sensação culminante foi de plena satisfação entre todos os presentes.

O evento foi promovido pelo Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA, a partir de proposta do cratense, hoje residente em Recife, Joaquim Pinheiro.

sábado, 6 de agosto de 2011

Pombos Urbanos em desenho de Normando Rodrigues

(Pombos Urbanos, primeira formação: Segestes Tocantins (baixo), Rafael Fel (bateria) Nikodemus (guitarra).














Nos anos 80/90 a gente não se fazia de rogado e produzia arte com as ferramentas que tínhamos nas mãos. Muitos shows, salões de arte, jornais, saraus e o escambau  eram gestados nos bancos de cimento queimado do Parque Municipal, ou em "aparelhos" esconderijos em nossas casas, apartamentos ou, imaginem, até no ambiente de trabalho (leia-se Banco do Brasil) quando nos encontrávamos, eu, Normando, Carlos Rafael e João Nicodemos, dentre outros. A banda Pombos Urbanos é um desses produtos emblemáticos de então. Hoje, aqui em Salvador-Ba, às 15:45 da tarde desse sábado chuvoso, "moi" em descanço estratégico para uma festa de "arromba"de casamento de uma sobrinha bahiana, é que me deparei com o desenho maravilhoso do Normando e que ora ilustra esta postagem(*). Foi um choro sem lágrimas, emocionado e contido(por que não chorei, mesmo?). Que velhos e bons tempos  aqueles de anarquia e muita irresponsabilidade! Hoje, de vez em quando ainda me vejo assim querendo jogar merda no ventilador e mandar tudo e todos pro inferno. Deixa pra lá. O importante é que senti uma saudade enorme do talento e da calma daquele figuraço que foi amigo Normando (vivo nos nossos corações) e de todos os que estavam alí naquele tempo . Agora...eu chorei. 
(*) o desenho e a foto foram retirados de blog mantido pelo Niko (João Nicodemos).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

João Paulo II - Emerson Monteiro


Veja só como os assuntos se organizam na cabeça da gente para chegar ao papel. Ontem, no início da tarde, me preparando para rápido cochilo, no programa Forró do Povo de Deus, da Rádio FM Padre Cícero, ouvi J. Farias cantar a música Obrigado, João Paulo, de Luiz Gonzaga.

Mais tarde, ao despertar, o baião ainda persistiu rondando meus pensamentos por mais algum tempo, João Paulo II / De Deus, grande graça / O povo te abraça / Em ti, vê Jesus / Feliz te agradece / Por o visitares / E a Cristo adorares / Na Terra da Luz.

Já à noite, na casa de um amigo, me deparei com álbum editado pelo jornal O Povo, de Fortaleza, com a retrospectiva da publicação desde seus inícios em 1928, fundada que fora pelo jornalista Demócrito Rocha. Lá estavam, no meio de muitos acontecimentos que marcara o período, as andanças de João Paulo II pelo mundo, a visitar os fiéis católicos, nas inúmeras viagens que realizou, inclusive duas vezes nas terras do Brasil. Fotografias das figuras importantes que marcaram o século XX desfilavam pelas páginas, Nelson Mandela, John Lennon, Mahatma Gandhi, John Kennedy, Che Guevara, Mao-Tsé-Tung, Martin Luther King e tantos, e tantos outros.

Das personalidades mais influentes dos séculos do Catolicismo, João Paulo trouxe na divisa latina do seu papado a insígnia De labore solis, que, em português, significa Do trabalho do Sol, interpretando qual seu modo de acompanhar a Terra nos movimentos constantes de rotação e translação em volta do Sol e do próprio eixo.

Incansável, realizou excursões ao resto do mundo, descentralizado das preocupações anteriores do Vaticano, com isto demonstrando carinho imenso pelos povos e lugares onde andou a beijar o solo em que chegasse.

No Ceará, receberia a feliz homenagem nessa canção sertaneja de bela feitura. João Paulo II... / A tua visita / É graça bendita / Pro povo cristão / É felicidade / Privar da amizade / Do teu coração. / Pastor muito amado / De amor nosso brado / A Deus levarás. / E a Roma voltando / Saudades deixando / Entre nós ficarás. Letra inspirada do padre Gothardo Lemos e música do Rei do Baião, que este interpretou com alegria, expressou com propriedade o tributo dos nordestinos a quem a Igreja cogita tornar santo e o transformou em beato neste ano de 2011.

Raros papas de outra nacionalidade que não a italiana ocuparam o trono de São Pedro. Karol Jósef Wojtyla foi um desses, que deixaria lembranças imorredouras no seio da humanidade. Virtuoso, amigo, desempenhou relevante papel sociopolítico no milênio que passou, dando exemplo de bondade entre os líderes da cena mundial, agora motivo deste rápido comentário.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

PROGRAMA CARIRI ENCANTADO PROTAGONISTAS – 05/08/2011

Lançamento radiofônico do disco “Santa Fé em Cantos”, com Emerson Monteiro e Francisco Silvino

Tem novidade no ar. Uma agradável surpresa. Um disco musical voador. Que plana fagueiro e alegre pelos céus do Cariri, anunciando coisas boas, um bom agouro de paz e fé.

Trata-se do disco Santa Fé em Cantos. Uma bem elaborada coletânea de composições musicais, reunindo músicos, compositores, letristas e intérpretes, dentre veteranos e novatos, com canções e arranjos bem urdidos e tramados.

A direção do projeto foi de Emerson Monteiro (foto). E é o próprio Emerson que o apresenta:

“Veja o que acontece quando um grupo de amigos, de apreciadores da boa música, poetas, cantores, compositores nas horas vagas, resolve somar a força da inspiração e chegar ao público com suas canções e vozes. Os meios técnicos contemporâneos permitem atitudes semelhantes. Ainda que o mercado teime em oferecer música massificada que esqueceu os tempos áureos da estética, existem as alternativas de renovação. Assim se propõe Santa Fé em Cantos, que ora lhe chega às mãos, trabalho afinado de sentimentos, acima de tudo fruto de autores que acreditam na melodia e no verso quais valores permanentes para alegrar e sentir o poder da beleza musical. Vamos cantar juntos a riqueza deste mutirão de qualidade sonora do Cariri Cearense.”

Onde ouvir
Todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas na Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

Sentir a dor alheia - Emerson Monteiro



Isto já ensinam as religiões desde priscas eras, em se colocar no lugar do outro nas horas necessárias, para saber o que ele sentirá diante das circunstâncias que o levaram ao erro de comete delitos graves ou leves quais sejam. Antes dos julgamentos prévios há de haver essa formação de uma consciência da dor que ele amargura, e, só então, agir e condenar.

Tais avaliações anteriores às sentenças previnem o risco das limitações humanas; o impulso dos interesses particulares e injustos. Invés de jogar mais carga nas costas dos semelhantes pela precipitação, buscar, sim, diminuir o peso que outros carregam, porquanto, no solo comum das existências, funcionam bases maiores da justiça que predominam todo tempo.

Inúmeras vezes, o egoísmo dos desejos próprios determina as ações das criaturas, levando-as ao tribunal antes de realizar os julgamentos a que se propõem. No Evangelho, Jesus trata o assunto com extrema clareza quando fala de quem enxerga o argueiro no olho dos outros e não vê a trave que existe no olho de quem julga. Bem humano esse jeito de laborar, no transcorrer dos séculos.

Com isso, aprender a lição da transferência para si mesmo das agruras alheias, o que facilita sobremodo o gesto de viver, orientação dos campos da sabedoria. Observar na distância de algumas braças até compreender e julgar, e procurar a justiça nos armários da consciência individual, pois a lei superior mora gravada no íntimo do ser que somos, a fim de enquadrar os companheiros de viagem nos artigos em que é sujeito lá estarmos escondidos, eis uma norma de real valor, neste mundo ainda contraditório.

O resultado dessa atitude refinada produzirá frutos bons junto ao direito universal da Natureza, nos momentos que virão depois, guardando saldos positivos de bênçãos em forma de saúde perfeita, amizades, respeito coletivo e construção definitiva das esperanças de um paz social duradoura em benefício de todos nós.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 03/08/2011

Conexões musicais: João Gilberto & todas as bossas

João Gilberto nasceu em Juazeiro da Bahia em 10 de junho de 1934. Ele é a síntese da Bossa Nova com sua voz e seu violão inconfundíveis. Foi o maior influenciador de outros músicos que já apareceu na MPB, a exemplo de Chico Buarque e Caetano Veloso. Sem falar de quase todos os cantores, compositores e instrumentistas da primeira geração da Bossa Nova.

Com seu jeito tranquilo aliado a um trabalho que faz questão de ser impecável, por onde ele passou criou histórias pitorescas. Ninguém entendia como algum artista poderia ser tão difícil quanto ele. É conhecida de todos a história do show em que ele dispensou a orquestra e exigiu que se desligasse o ar condicionado. Quem não entendeu o chamou de chato ou excêntrico. Só quem sabe o som que vem da música, o compreendeu.

João Gilberto é aquele que chamamos de Mago ou de Mito. Um dos poucos músicos que carregam o som em suas entranhas - não permitindo distorções, meras invencionices ou truques de estúdio. João percebe qualquer semitom fora de lugar, pois é um perfeccionista, um verdadeiro gênio musical. É a nobreza verdadeira e em todos os sentidos da MPB.

Base do texto de Carô Murgel.

As músicas que irão tocar no programa
1. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil)
2. Palpite infeliz (Noel Rosa)
3. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), com Stan Getz e Astrud Gilberto
4. Besame mucho (Consuelo Velasquez)
5. Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
6. Corcovado (Tom Jobim) - com Stan Getz e Astrud Gilberto
7. Doralice (Dorival Caymmi e Almeida) - com Stan Getz
8. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça) - com Stan Getz
9. Pra machucar meu coração (Ary Barroso), com Stan Getz
10. Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
11. Ave Maria do morro (Herivelto Martins)

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.
Pesquisa, redação e apresentação de Carlos Rafael Dias.
Operação de áudio de Iderval Silva.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cusco

Quando viajamos empreendemos sempre duas viagens. Uma nos afasta geograficamente do lugar onde habitamos e o deslocamento nos transporta, magicamente, para paragens desconhecidas, para novos costumes, novas línguas, novas culturas. Simultaneamente, fazemos uma excursão por nossas trilhas internas percebendo a existência de novas verdades, novos modos de sentir o mundo , outras formas de conviver com miragem estonteante da vida. Viajar de alguma maneira nos completa e , quando retornamos, é como se trouxéssemos as gavetas da alma rearrumadas, os armários do espírito com cada coisa reposta no seu devido lugar. Talvez, por isso mesmo, é que a ida seja tão prazerosa quanto a volta, como se o ir e o vir fossem, exatamente, os cíclicos movimentos de um mesmo pêndulo.

Senti exatamente isso quando visitei o Peru nestas férias. Foi como se voltasse para casa. A desértica paisagem do sul peruano, com sua pluviosidade rara e eventual, fez-me imergir novamente no Nordeste brasileiro, como se daqui nunca tivesse me ausentado. A placidez do humilde povo do Peru se assemelha enormemente à resignação do nordestino frente às adversidades climáticas e sociais. As roupas de cores vivíssimas e alegres, a música farta e escorreita que fluem das flautas fazem-se um contraponto à aridez da paisagem, às intempéries da natureza. Não tão diferente das vestimentas estampadas nas roupas do nosso povo mais simples, de forte influência afro. O peruano, no entanto, é profundamente orgulhoso da sua cultura e do seu país no que difere cabalmente do povo brasileiro, que ainda carrega consigo, mesmo nos tempos atuais, aquele complexo de cão rabugento, de raposa hidrofóbica.

Perambulando pelas ruínas do Império Inca em Paracas, Nazca e Cusco tem-se à nossa frente o filme da destruição de uma das mais avançadas culturas dos Séculos XII ao XV pela ganância do Colonialismo Espanhol, bem mais predatório do que o Português em terras de Pindorama. Os Incas que no seu auge ocupavam um território gigantesco de mais de 1.800.000 Km2, englobando o Peru, o Equador, a Bolívia, o Chile, Colômbia e norte da Argentina, foram dominados, estranhamente, por algumas caravelas espanholas com pouco mais de 200 soldados. Como terá sido possível ? A pólvora? A guerra biológica ? Quem sabe a ingenuidade Inca em acolher o satanás no seio do seu povo, como se enviado de Deus. O certo é que a Espanha perpetrou um dos maiores crimes da história da humanidade em nome da sua ganância incontrolável.

Os jesuítas chegaram com os espanhóis e promoveram a devassa religiosa do Império Inca, destruindo os inúmeros templos e construindo suas igrejas justamente em cima dos antigos monumentos religiosos , boa parte das vezes utilizando as mesmas pedras que estruturavam as paredes antigas. Os próprios Incas já tinham anteriormente procedido de forma igual com as culturas pré-incas. É que os deuses , amigos, são tão mortais como nós humanos. Onde hoje se encontram os poderosos deuses de outrora ? Zeus, Júpiter, Thor, Osíres , Viracocha, Inti ? “Estão todos dormindo, dormindo profundamente...” Que destino aguarda as sumidades do momento : Jeová, Buda, Maomé ?

Em meio as montanhas andinas, viajando pelo Vale Sagrado dos Incas, tem-se imediatamente uma imersão transcendental. Dos pícaros é quase que impossível olhar para baixo, acima tudo parece estranhamente familiar. Em quitchua, a língua oficial dos Incas, Cusco significa umbigo do mundo. Alguma coisa dá à luz dentro de nós quando visitamos a cidade. Bate-nos a solidão de Pachacuti, em Macchu Picchu, esperando candidamente a destruição final do sonho, pelas hostes inexoráveis do senhor Tempo.

J. Flávio Vieira

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crônicas cangaceiras - Emerson Monteiro


Em dias recentes, com satisfação recebi o livro Cariri: cangaço, coiteiros e adjacências, de Napoleão Tavares Neves, publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília DF, em 2010. Sob o ordenamento das memórias recolhidas de suas observações e escutas, Dr. Napoleão descreve as presenças do cangaço na região do Cariri cearense e entorno através de crônicas bem narradas, fotografias primorosas de um passado que ainda perdura no seio desta humanidade, inclusive nos interiores sertanejos.

Capítulo a capítulo, vemos desfilar episódios marcantes que nutriram as histórias repassadas dos ancestrais da primeira metade do século XX, nas salas, varadas e bagaceiras de sítios e engenhos, dotes imorredores daquilo que praticaram coronéis, polícias e cangaceiros, desfilar de casos que apavoraram o imaginário social antes de chegar o tão propalado desenvolvimento da indústria moderna.

Enquanto escorrem das letras filmes desse acervo de rifles e punhais dos tempos em sobressalto, nas maldades dos Marcelinos, de Sabino, Antônio Silvino, Lampião, cenas horripilantes de crimes impunes dos dois lados do feudalismo em decadência, transcorria também a história do mesmo homem e das dimensões trágicas que carrega consigo na busca da perfeição.

Quando criança, ouvia, na escola, apenas o lado romântico das vitórias, nos acontecimentos históricos. Esse aspecto escabroso de cores amargas pouco aparecia na movimentação das tropas e dos confrontos. Achava até que o pior restava só na memória. No entanto ainda se anda longe dos dias de paz plena.

As versões escutadas pelo autor barbalhense, ora transmitidas através dessa obra literária que leio, atende às necessidades do conhecimento de assuntos ocorridos aqui por perto, lugares conhecido no desfilar dos calendários. As marcas cruéis da violência campeavam nas quebradas das serras, no meio dos marmeleiros das campinas esturricadas, nos brejos. Tiros, incêndios, cavalgadas, talhes de facões, medo, destruição, em época de ninguém obedecer aos ditames da Lei nas ações, fosse qual banda fosse que a executasse, casos típico dos fuzilados do Leitão, nos arredores de Barbalha, e do fogo das Guaribas, em Brejo Santo, para executar Chico Chicote.

Esse tropel de cenas guardadas pelo escritor transmite com maestria o panorama daquela fase rude que parece não ter fim diante das injustiças que pouco mudaram nos dias de hoje. A diferença mais forte, porém, é que as histórias tristes deixaram de ocupar as conversas noturnas das varandas brejeiras de sítios e fazendas, e repontam frescas na guerra aberta de extermínio a plena luz do dia nos programas televisivos dos horários de almoço da atualidade cangaceira.

sábado, 30 de julho de 2011

Palestra sobre a política externa contemporânea dos EUA


Pelo Prof. Virgílio Arraes
(Catedrático de História da Universidade de Brasília - UNB)

Dia 1 de agosto de 2011 (próxima segunda-feira), as 19 horas
No Salão de Atos da URCA (Campus do Pimenta, Crato)

Promoção: Departamento de História da Universidade Regional do Cariri – URCA

Breve currículo do palestrante - O professor Virgílio Caixeta Arraes é graduado em história pela UNB, com mestrado e doutorado na mesma universidade. Tem título de doutor, obtido em 2005, com a tese "Relações internacionais da Santa Sé: da fragilidade à busca de autonomia". É especialista em Relações Internacionais contemporâneas e política externa do Brasil. Foi consultor do Exército Brasileiro no estudo prospectivo "Construção de cenários para o ano 2.030” e assessor de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, em 2006 e 2007. É consultor do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Possui 103 trabalhos publicados em revistas especializadas, 155 matérias veiculadas em jornais e periódicos e cinco livros publicados. Foi orientador de várias teses de mestrado e cinco de doutorado na UNB.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O parque de exposições de Crato - Emerson Monteiro

Por mais que a gente não queira, se envolve nesses assuntos de governo, quando a população, nas urnas, permitiu aos administradores públicos cuidarem da sorte do povo do jeito que lhes aprouver. Ainda assim, coça por dentro uma vontade de falar qualquer palavra de cidadão no quadro que se estabeleceu.

É que se formou uma espécie de cabo de guerra entre os gestores do Município cratense e o Executivo estadual quanto ao jeito certo de resolver, daqui para adiante, onde funcionará o Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti.

O tema esquentou mais durante o evento deste ano de 2011, pois cada vez o local fica menor para tanto movimento. A cidade passa por crise de, no mínimo, dez dias diferentes, com carros de todo canto do Brasil a encherem as vias do centro e dos bairros, sem lugar de circular, de estacionar, etc. A selvageria das alturas do som na área dos shows, que ninguém consegue diminuir, nem tem a quem reclamar, judiando, prejudicando a paz, ensurdecendo gerações e gerações, além de incomodar sobremaneira os bichos expostos lá em cima, transtornando as imediações e intranqüilizados as famílias que moram perto.

Bom, segundo aqueles com quem converso, pode haver mais disciplina, inclusive no que diz respeito aos estandes trazidos, aos segmentos e à seleção, talvez controle impossível nesses tempos de mercantilização e dinheiro, a interessar os organizadores da festa tradicional de 60 anos.

Outros pretendem que modernizar o parque no ponto ora existente resolve, que possui área de expansão no sentido Canfundó. Enquanto que o Governo oferece o projeto pronto de deslocar as atividades para o Sítio Palmeiral, nas bandas dos brejos, entorno da Avenida do Contorno.

Em resumo, a querela estabelecida virou domínio público. Impasses, impasses, e nenhum entendimento que pacifique e inicie as construções futuras. Até falam em possível consulta popular através de um plebiscito.

No entanto, prezadas autoridades, há de existir dose suficiente de sensatez nos juízos dos gestores para equilibrar a balança, porquanto é hora de providenciar soluções urgentes, invés de esperar outro ano de contradições para avançar alternativas sem que nada aconteça até a nova edição do apreciado acontecimento, afinal em suas mãos depositamos a nossa confiança.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 27/07/2011

Os velhos e bons Novos Baianos


Os Novos Baianos, um dos mais emblemáticos e criativos grupos musicais brasileiros de todos os tempos, surgiram na Bahia em 1969 e vigoraram vigorosamente na cena cultural tupiniquim até 1979. Eles marcaram definitivamente a música popular brasileira dos anos 1970 como um verdadeiro caldeirão sonoro, cujos ingredientes foram os mais diversificados, como a bossa nova, o frevo, o baião, o choro, o afoxé e o rock’n'roll, sempre influenciados pela contracultura e pelo emergente Tropicalismo.

Dentre os seus constantes membros, o grupo contava com Moraes Moreira (compositor, vocal e violão), Baby Consuelo (vocal), Paulinho Boca de Cantor (vocal), Pepeu Gomes (guitarra), Dadi (baixo), Jorginho Gomes (bateria) e Luiz Galvão (letras).

Os Novos Baianos foram apadrinhados pelo papa da bossa nova, João Gilberto, e contratados pela então poderosa gravadora Som Livre, onde lançaram o antológico e festejado disco Acabou chorare, em 1972, mesclando guitarra elétrica, baixo e bateria com cavaquinho, chocalho, pandeiro e agogô. Em outubro de 2007, Acabou chorare foi eleito pela revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música brasileira.

Nesta quarta-feira, 27 de julho de 2011, o programa Cariri Encantado Sonoridades enfoca alguns dos melhores momentos desta banda que ainda hoje é lembrada como um verdadeiro laboratório de manipulação bem sucedida de vários ritmos, tendências e gêneros musicais.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e Internet através do site www.radioeducadoradocariri.com.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades – 20/07/2011

O Padre Cícero e o Juazeiro


Estamos em plena Semana do Centenário de Juazeiro do Norte, cujo marco será a próxima sexta-feira, dia 22. Mas, hoje, também se celebra uma importante data relacionada ao Juazeiro: os 77 anos da morte do seu patriarca, o Padre Cícero Romão Batista, considerado pelos milhares de romeiros que visitam a chamada "Meca do Sertão" uma figura mítica, um santo popular.

Reverenciado, amado e idolatrado, o Padre Cícero é tema de uma gama de canções, sob vários ritmos, gêneros e tendências musicais, que vai do baião, cantado pelo devoto Luiz Gonzaga, ao soul music, na voz do irreverente Tim Maia. Também, sambas, forrós, ladainhas, incelenças, dentre outros formatos musicais, foram compostos para homenagear o “Santo do Sertão”.

Nesta auspiciosa semana, o programa Cariri Encantado, neste dia em que se celebra a data de falecimento do “Levita do Sertão”, presta uma homenagem ao Padre Cícero e ao local da qual ele foi o principal emancipador, através de uma diversidade de músicas compostas e interpretadas por nomes conhecidos da música brasileira, como também por anônimos devotos desta personagem histórica e admiradores da progressiva cidade do Juazeiro do Norte.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.

sábado, 16 de julho de 2011

Palco Sonoro URCA-BNB: Hoje é o Gran Finale

Ermano Morais (Foto: Samuk)
Tudo que é sólido se desmancha no ar. Mas tudo que é etéreo (e estéreo) dura para sempre. Este é o meu sentimento com respeito ao Palco Sonoro. Depois de quatro noites de muitos sons. Muitas e agradáveis surpresas. Comentei com Salatiel como tava por fora da cena musical dessas bandas (no duplo sentido) do Cariri. Daí essa surpresa toda.

Já falei da primeira noite. Pra mim, uma noite de Fênix. Pois renasci digerindo meu fígado (com uma pequena ajuda de umas doses a mais). Revivi também minha verve roqueira, ouvindo, pela primeira vez, as bandas que pousaram e planaram no Palco.

Na segunda noite, a de quarta-feira, até cometi o delito de subir ao Palco e profanar a perfeita apresentação de Calazans Callou & Trimurti.

Na quinta-feira, cheguei bem cedo e vi os Zabumbeiros Cariris (minha banda de coração ou a outra banda do meu coração) & Luciano Brayner & Ulisses Germano fazerem uma roda de som no terreiro do Palco (que Luciano chama de Samba de Feira). Vi o início da apresentação do Syncrasis (e adorei) com seu som jazz-fusion-progressivo a la Spyro Gyra. E cometi outro delito (em nome da boa música, claro): escapulir para Barbalha para me esbaldar ao som de Jorge Benjor (pra sempre e eterno Jorge Ben) e da Banda do Zé Pretinho (show duca).

Ontem, pela primeira vez vi toda a programação do Palco. Noite massa de sexta de lua cheia e Expô lotada. Amei as Godiva’s com a deusa Ana Paula nos vocais tal uma Afrodite (afinal, lembrem da tríade do roquienrrol) e a guitarrista que me lembrou demais Patti Smith. Saltitei feito Mick Jagger ao som dos blues e dos souls dançantes do De Repente Blues, com Sasha, um negão alemão, mandando ver nos vocais e no inglês. Pura raiz.

E no final da noite o Palco se transformou numa grande e alegre tertúlia (é o novo!) dos anos sessenta, a cargo do nosso Keith Richards (satisfaction!) - Batista Fhaser, e com direito a uma canja de Salatiel, revivendo seu tempo de crooner de conjunto de baile (é o novo de novo!): The Hunters!

E hoje é o gran finale. Que Pena! Mas tudo que é sólido, um dia, se desmancha no ar.

Por isso, todo mundo lá.

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Programação

17:00 – Os Monastérios
18:00 - Black Boy Dance/ Filhos De Maria
19:00 - Rinaldo
19:40 - MPB Trio
20:00 - Soul Musical
20:40 - Álvaro Holanda
21:00 - Herdeiros do Rei

sexta-feira, 15 de julho de 2011

PALCO SONORO URCA/BNB 2011, HOJE na EXPOCRATO

O guitarrista mais "jovem -guarda" do território cariri - o querido Batista, vai debulhar sua guitarra no II PALCO SONORO URCA/BNB 2011.
A programação já começa às 15 horas com Reisado Mirim,  e continua:
-Tábua de Pirulito - Rock Pop pra criançada.
-Stênio Lima
-Dom Rasta
-Plataforma Vip
-Cantigar
-Godivas
-Liberdade & Raiz
-De Repente Blues
-Batista

Vamos todos ao melhor palco da ExpoCrato 2011! Quem viver Ouvirá!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Palco Sonoro URCA-BNB na Expocrato

Programação de hoje, quinta-feira, 14/07

Carlos Rafael e Calazans Callou, ontem 13/07 (Foto: Samuk)

O II Palco Sonoro URCA-BNB tem salvado a Expocrato no que diz respeito à programação musical alternativa protagonizada pelos artistas do Cariri. Talento e diversidade são as marcas do Palco. Tudo sob a ótica contemporânea de fazer cultura. Músicas boas. Público antenado. Integração de pessoas e experimentações. Ontem por exemplo, Ulisses Germano incorporou seu pífano e dupla de pandeiristas, invocando as raízes populares no frondoso som roqueiro de Calazans Callou e banda Trimurti. O sanfoneiro mirim Gilberto Neto deu uma palhinha na apresentação charmosa da também charmosa Jord Guedes. Até eu cantei, invadindo o palco de Calazans (Salatiel foi o culpado) e errando a letra de “Maria dos Santos”, de Alceu e Don Tronxo (o culpado fui eu). Mas depois, muitos foram me encorajar com palavras carinhosas.

Então... Hoje a noite promete. Sempre a partir das 17 horas. E olha quem vai iluminar o palco. Os seguintes sóis:

17:00 - Cantigar

18:00 - Zabumbeiros Cariris

19:00 - Synkrasis

19:40 - Abidoral Jamacaru

20:00 - Ermano Moraes

20:40 - João Do Crato

21:00 - Ibbertson Nobre (com participação do baterista Demontiê Dellamone e do baixista Marcelo)

21:40 - Beatles Cover

Quem for, verá e ouvirá.

Palco Sonoro URCA-BNB: Diversidade e Talentos daqui mesmo, do Cariri.

Carlos Rafael Dias
Especial para o Cariricult e Cariri Encantado

Terça-feira, 12 de julho de 2011. Terceiro dia de Expocrato e abertura do II Palco Sonoro URCA-BNB no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, Crato, Ceará, Brasil, Mundo. Cheguei por volta das 10 horas. Atrasadíssimo por conta da Renovação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria lá em casa. Como acontece todos os anos neste dia, também em comemoração ao meu casamento com Fran. Salatiel, avisou-me Paulo Fuísca, estava irritadíssimo com a minha ausência. Fui logo enfrentar a fera. Não se deve protelar problemas. O som rolava alto e solto. Banda Trimurti, de Gravatá, Pernambuco, Trazida por Calazans Callou para também acompanhá-lo no seu show, no dia seguinte. Heavy progressivo. Pesado e, ao mesmo tempo, leve. Antes de me desculpar, Salatiel, mentor e coordenador do Palco, baixou a guarda. Acho que por conta do astral que irradiava. Boa parte da galera esperta e antenada estava lá. Fui logo atrás de um gorozinho. Orlando indicou-me a fonte. Cerveja de 600 ml por R$ 3,50. E supergelada. Comprava-se de três em três. Matemática lógica. Acho que sorvemos umas trinta e três. Calazans apareceu. Falou da banda e do show. Esbarrei em Marcos Lobisomem que me deu a boa nova: ia estrear sua nova banda logo mais. El Capone Tá Bebo. Apresentou seus músicos. Todos, pra mim, até ali, desconhecidos. Salatiel, ainda bem, antecipou. Disse que o guitarrista toca pra caralho. Fiquei pagando pra ver. Depois do Trimurti, tocou uma banda de uma galerinha muito boa. Pop Rock esperto. Eficiente. Quarto Estágio é o nome da banda. Ela mistura roquinhos leves com rap. Às vezes, surpreende com um hardcore. Legal. Comecei a balançar o pé em sinal de aprovação. Nem estava supondo o que iria acontecer em seguida. El Capone sobe ao palco. Salatiel me convida para dizer umas palavras no microfone. Gritei a velha senha de guerra: É roquienrrol na cabeça! A banda começa a tocar de improviso para equalizar o som. Senti firmeza. O guitarrista (seu nome é Aquiles e ele tem calcanhares fortes) manda ver com todos os dedos ao mesmo tempo na guitarra semiacústica verde que era de Marcos Lobisomem desde os tempos dos Pombos Urbanos. O batera bateu firme como que dizendo “aumenta que isso aí é roquienrrol!”. O Baixista, de cabelo rasta, acompanhava tranquilão. Marcos Lobisomem... Deixa pra lá. Marcos é Lobisomem e pronto. A banda tocou uma cinco músicas autorais. Entrou com um instrumental que lembra Hendrix nos seus melhores dias. O garotão guitarrista se responde. O batera lembra muito o mito Keith Moon. Até a acrobacia nas baquetas. Fiquei babando. Vi uma Supernova nascer. Mas ainda não tinha visto tudo. O garotão guitarrista de figura aquilina cantou. Pelamordedeus! Uma voz que lembra Serginho Dias no auge dos Mutantes progressivo. Mas ainda não tinha visto tudo. Salatiel avisou-me: a banda que fecharia a noite, Cariri Blues, é a banda paralela do guitarrista que agora, naquele momento, me enchia os olhos e ouvidos. E tocaria Luiz Gonzaga, aquele do Exu, mas que tinha um pesinho no sul dos Estados Unidos (Mississipi-Alabama). E tocou. Pra caralho.

O centenário de Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro


Neste ano de 2011, o dia 22 de julho assinala 100 anos desde que Juazeiro mereceu sua autonomia municipal através da Lei n.º 1.028, quando recebeu a toponímia de Joaseiro, em homenagem à árvore típica da vegetação do semi-árido, sempre verde inclusive nas épocas mais tórridas.

Suas origens remontam ao vilarejo de Tabuleiro Grande, formado nas terras que pertenceram à sesmaria concedida no ano de 1703 ao capitão-mor Manuel Rodrigues Ariosa, de origem norterriograndense, depois havidas por famílias iniciais advindas de Sergipe, até chegar no brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e no neto, o sacerdote católico Pedro Ribeiro da Silva Monteiro. As terras se estendiam do município do Crato às cercanias da Serra de São Pedro. Nessa área da grande propriedade, no decorrer da década de 1820, o Padre Pedro Ribeiro edificaria casa grande, de taipa e telha, engenho, aviamento, senzala e capela.

Para a construção da capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, o sacerdote e seu futuro capelão reuniria também esforços dos familiares, nela sendo celebrada missa no dia 15 de setembro de 1827 alusiva ao lançamento da pedra fundamental do templo.

Em 09 de setembro de 1833, quando Padre Pedro Ribeiro deixaria este mundo, a futura povoação juazeirense começava a despontar no crescimento. Somava duas ruas, a Rua Grande, hoje Padre Cícero, e a Rua dos Brejos, em traçado perpendicular; a capela, uma escola e 32 prédios com tetos apenas de palha.

Ordenado em 1870, no dia 11 de abril de 1872, o Padre Cícero Romão Batista fixaria residência no pequeno arruado. Afeito aos anseios das populações simples, desempenharia funções apostólicas voltadas ao conforto das almas sertanejas, cumprindo nisso a missão religiosa católica. Tempos depois, em 06 de março de 1889, dar-se-ia o fenômeno da hóstia transformada em sangue, na ocasião de ministrar a comunhão à Beata Maria de Araújo. A propagação do acontecimento pelos interiores nordestinos intensificaria o deslocamento de milhares de pessoas ao lugarejo, que ganharia impulso surpreendente e definitivo no desenvolvimento.

Já em dias do século XX, a 16 de agosto de 1907, circulara um boletim conclamando os cidadãos juazeirenses para reunião a ocorrer no dia 18 do mesmo mês, na residência do major Joaquim Bezerra de Menezes, descendente dos primeiros proprietários do lugar, visando organizar a emancipação política do território, livrando-o da administração do município do Crato, a quem obedecia. Isso, no entanto, deixaria de gerar efeitos práticos imediatos. Só adiante, devido ações encetadas por novas lideranças, de Padre Alencar Peixoto, Floro Bartolomeu da Costa, José Marrocos e outros, nas páginas do jornal O Rebate, essas ideias ganhariam corpo, galgando efetiva concretização em 22 de julho de 1911, quando da lei estadual que estabeleceu: “Art. 1.º - A povoação de Juazeiro, da comarca do Crato, é elevada à categoria de vila e sede de município, com a mesma denominação”.

terça-feira, 12 de julho de 2011

URCA realiza mais uma vez o Palco Sonoro durante a Expocrato




Terça Feira - Dia 12
17:00 - Área Restrita
18:00 - 4º. Estágio
19:00 - Aécio Ramos
19:40 - B´Haves
20:00 - Elisa Moura
20:40 - Trimurti (Instrumental)
21:00 - Cariri Blues

Quarta-feira – Dia 13
17:00 - Black Out
18:00 - Sétimo Selo
19:00 - Fatinha Gomes
19:40 - Luciano Brainner
20:00 - Cícero Gnomo
20:40 – Calazans Callou
21:00 - Jord Guedes
21:00 – Cleivan Paiva

Quinta-feira- Dia 14
17:00 - Cantigar
18:00 - Zabumbeiros Cariris
19:00 - Synkrasis
19:40 - Abidoral Jamacaru
20:00 - Ermano Moraes
20:40 - João Do Crato
21:00 - Ibbertson Nobre
21:40 - Beatles Cover

Sexta-feira – Dia 15
17:00 - Tábua De Pirulito
18:00 - Dom Rasta
19:00 - Plataforma Vip
19:40 - Legalize It
20:00 - Godivas
20:40 - Liberdade & Raiz
21:00 - De Repente Blues
21:40 - Batista Trio

Sábado - Dia 16
17:00 - Black Boy Dance/ Filhos De Maria
18:00 - Stênio Lima
19:00 - Rinaldo
19:40 - MPB Trio
20:00 - Soul Musical
20:40 - Alvaro Holanda
21:00 - Herdeiros Do Rei

sábado, 9 de julho de 2011

Uma festa no castelo encantado - Emerson Monteiro


Nesta quinta-feira, 07 de julho de 2011, compareci à festa de lançamento do áudio livro O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica, de autoria do escritor cratense José Flávio Pinheiro Viera, com ilustrações de Reginaldo Farias, no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, em Crato. Algo de beleza surpreendente pela produção entremeada dos mais diversos recursos cênicos a cargo da direção bem sucedida de Luiz Carlos Salatiel, abastecida nas performances refinadas de cantores, músicos e atores de nosso filão artístico-cultural.

A vontade que tenho seria pegar um pedaço de cada cena, junto de sons e iluminações, da animação dos presentes, do alegre clima reinante, falas, músicas, colar numa sequência imaginária e recompor o que ali vim encontrar de mágico e puro, bem nos moldes da mitologia regional de outras épocas, de quando havia sonhos soltos pelo ar. As histórias ouvidas na bagaceira do Sítio São Vicente, dos seus avós, no pé da Serra do Araripe, Zé Flávio as revive no seu primoroso trabalho, conservação fantástica dessa ponte que une o escritor e o tempo, acendendo de volta o sidério das horas fascinantes desfrutadas no passado longínquo.

Nisso, através da condução cênica de um Mateus (Cacá Araújo) e de uma Catarina (Kelvya Maia), figurantes buscados nos folguedos populares nordestinos, enquanto contracenavam suas tiradas cômicas, desempenharam o papel de mestres de cerimônia da inusitada solenidade. O auditório superlotado viajou embalado no clima mítico estabelecido e povoado pelas personagens trazidas ao palco nas letras das composições musicais interpretadas por ícones fortes da atual música cratense. Desfilaram com imensa fidelidade, a mim que conheci a maioria delas, as figuras de Maria Caboré, Canena, Tandô, Capela, Padre Verdeixa, O Rei da Serra, Vicente Finim, Noventa, Príncipe Ribamar, Zé de Matos, heróis do panteão da história popular de Crato, resgate por demais merecido e imortalizador das gentes eternas, gravadas na memória etnológica das populações caririenses.

Os intérpretes os quero denominar um a um, dada a qualidade oferecida e a integração com a proposta de tanto zelo em uma noite inolvidável. Foram Amélia Coelho, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru e vários outros.

Por tudo o que vi nessa ocasião a causar espécie no sentimento dos agraciados com o evento, deixo aqui o meu registro do projeto teatral, musical e literário de J. Flávio Vieira, que além do próprio valor foi também vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz, da Secretária de Cultura do Ceará. O livro de belas feições gráficas, nas cores e nos traços de Reginaldo Farias, chega acompanhado de um CD com 15 faixas, totalizando a proposta inovadora.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Somos folhas em branco - Emerson Monteiro


Quem dá significado aos objetos e acontecimentos, e às outras pessoas, é a cabeça da gente, a mente da gente. Por isso, preocupações sujeitam atrapalhar o compasso de esperar os minutos seguintes. Todo penso é torto, no que diz a experiência. E peru é quem morre de véspera, noutra cogitação. Fôssemos viver de pensar, renderia quase nada, vez que significados inexistem na realidade, quando eles só representam o produto do que se pensa. A gente importa as visões e as trabalha na oficina da cabeça, ferreiro insistente, quando já se tem tanta coisa para cuidar; e ainda saímos juntando troços e fazendo fogueiras no juízo, cipoal do desassossego.

Enquanto isto, o mecanismo das pessoas possui um dispositivo interno que solucionará o drama de tais preocupações. Lá bem no centro, no meio da ciranda apressada dessas coisas em atividade, mora a paz.

A fim de chegar a esse lugar importante carece, no entanto, concentrar o esforço gasto com o pensamento, a energia gasta nos movimentos que criam os sentidos na tela da imaginação. Manusear com gosto este procedimento produzirá resultados jamais vistos. No mínimo evitar-se-á as chamadas depressões mentais, os buracos sem fundo que constrangem e reduzem o peso da alegria que temos e poucos usam com rotina. Durante os quadros escuros da caminhada, precisa esquecer o que desafina o instrumento individual. Aqui ao lado de você reside a outra possibilidade de viver com satisfação cada minuto, independente da ânsia dos resultados. Limpar as leiras da responsabilidade e germinar plantas boas.

Plantar bons frutos hoje, no momento presente, e aguardar resultados favoráveis. Catar as sementes das histórias vividas, selecionar as melhores e fincar com gosto nas terras infinitas do coração. Todo tempo é tempo de felicidade. Evitar o mal e fazer o bem, aos outros, à natureza, a cada ser, inclusive a si próprio. Encher a própria bola servirá de motivo de viver bem e com sabedoria. Certos das leis da Natureza, tratemos de corrigir o rumo da viagem e conduzir o barco às águas tranquilas das estações seguras, livres dos traumas e contradições que sumiram na fumaça dos vícios de antigamente.

Essa modalidade valiosa de aplainar estradas no horizonte iluminado de sol sempre funcionará. Largar hábitos que diminuem a satisfação de crescer representa oportunidades positivas. Expulsar os insetos do território e dormir melhor, no exercício de olhar acima das perturbações desnecessárias; quanta coerência em agir desta maneira.

Ouço dizer que o olho do furacão é de pura calma. A agitação fica no entorno em que os ventos sacolejam o espaço. Mas no miolo as correntes de ar impacientes guardam inteira harmonia. A lição desse fenômeno explica como controlar a máquina do pensamento e evitar as desordens em volta. Buscar de tal modo o ponto do equilíbrio, que ocasionará surpresas agradáveis e dias abençoados.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Programa Cariri Encantado Sonoridades – 06/07/2011


J. Flávio Vieira: Mistério e Encantamento na Literatura Infantil Regional

O conhecido escritor, que também é renomado médico, J. Flávio Vieira, ou simplesmente Zé Flávio, é um velho guerreiro da contemporânea Tribo Kariri. E como membro antigo desta neo-tribo, José Flávio é uma espécie de xamã, pois faz o papel de repositório do saber, da tradição e da memória locais. Desta forma, Zé Flávio vem, de longo tempo, escrevinhando uma profícua e interessante obra relacionada com estas temáticas culturais.

Ele iniciou-se na carreira de escriba no jornal “Vanguarda”, já nos anos de 1960; passando pelos jornais “A Ação” e Folha de Piqui e pelas revistas “A Província” e “Itaytera”, todos do Crato, até se firmar como um assíduo colaborador da Rádio Educadora do Cariri, para onde escreve, aos sábados, desde 1997.

Sua biografia relacionada à produção cultural e artística é extensa, com destaque para sua participação nos festivais regionais da canção do Cariri, na década de 1970, como autor de poemas musicados, e pela sua incursão na dramaturgia, como autor da peça “A terrível peleja de Zé Matos com o bicho babau nas ruas do Crato”. Além do mais, Zé Flávio lançou o elogiado livro de crônicas “Matosinho vai à guerra”.

Agora, Zé Flávio “aprontou” mais uma (numa boa). Contemplado com o Prêmio Rachel de Queiroz de Literatura Infantil, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, Zé Flávio produziu e publicou um arrojado projeto lítero-musical que vai ser lançado amanhã, quinta-feira, às 19 horas, no Teatro Municipal Salviano Saraiva Arraes. Trata-se do livro infantil “O mistério das treze portas no castelo encantado da ponte fantástica” que vem acompanhado de dois Cds: um disco contendo a versão musical do livro, trazendo poemas de Zé Flávio musicados por compositores da região; e outro, um áudio livro, com a narração interpretada da estória.

O programa Cariri Encantado Sonoridades desta quarta, 6 de julho de 2011, antecipará para os ouvintes uma seleção das músicas que integram o projeto musical do livro, com destaque para a participação de compositores, músicos e intérpretes da região do Cariri, a exemplo de Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Leninha Linard, Pachelly Jamacaru, João do Crato, Ibbertson Nobre, Ermano Moraes, Maestro Bonifácio Salvador, João Neto, Fatinha Gomes, Luis Fidélis, Zé Nilton Figueiredo, André Saraiva, Amélia Coelho, João Nicodemos, Elisa Moura, Ulisses Germano e mais alguns.

Onde ouvir
Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com

O conflito das duas naturezas - Emerson Monteiro

Vezes outras e imaginava o que aconteceria no íntimo dos que escolhem trilhar a vida religiosa. Deixar de lado o glamour desse filão do corpo e da carne, e entrar nos universos do imponderável absoluto. Largar as paixões, as imprevisões saborosas dos sentidos, os devaneios da satisfação imediata, e mergulhar, sem retorno, sob o manto desconhecido das aspirações profundas, inescrutáveis, do mistério divino.

Poucos dias atrás, numa folhinha de calendário li citação do jornalista e político Artur da Távola de que opção não é escolha, é renúncia. Dada tal veracidade, repito a frase, pois noto quanta renúncia existirá nas opções que se fazem no decorrer das jornadas deste chão. Ninguém trocará de lugar que não tenha de largar o sonho dos lugares antigos, pois optar implica abandonar as outras possibilidades deixadas para trás.

Ao resolver seguir o percurso da renúncia, há méritos. A prática do casamento, por exemplo, define bem tais avaliações. Ali nubentes fecham as portas das histórias individuais do que poderiam ser e abrem as portas do que acontecerá, viagem só de ida, conquanto zerem o passado a fim de começar outro presente.

Nisso, as duas naturezas, de voltar os olhos para as virtudes, que significará desistir das ilusões e dos vícios, e decidir andar certo; adeus às torturas. Eis o motivo da afirmação bíblica que ninguém servirá a dois senhores.

A alegria da carne cumpre apetites físicos fugazes, charmes da juventude, nas altas voltagens dos fliperamas das festas. Ao passo que a alegria do religioso traz o pouso das luzes suaves nas afastadas capelas, longe do burburinho de multidões infebrecidas.

Parte-se do princípio de que a virtude cruzará portas estreitas, ao tempo em que largas são as portas da perdição... Perdição face ao panorama espiritual fervoroso do outro aspecto. Duas alegrias distintas, o preço da vida física e suas emoções fantasiosas e velozes, e o custo sacrificante da imaterialidade, nos propósitos ideais da perfeição, desistência de tudo o que alimentava as saudades vencidas, escolha em si dos termos físicos rejeitados. Assunto semelhante a depositar tesouro onde a traça e a ferrugem não possam destruir, das orientações de Jesus.

A fronteira destas duas alegrias estabelece de modo particular as leis dos dois países vizinhos no campo das batalhas individuais. Padrões diferentes de práticas exigem, pois, autenticidade nos momento da grave decisão de seguir. E após o passo definitivo, a sorte resta lançada. Ainda lembro, para concluir, destas palavras: O castigo do vício é o próprio vício; o mérito da virtude é a própria virtude. Adeus às ilusões, em nome da Luz superior.

domingo, 3 de julho de 2011

A terapia do sentido - Emerson Monteiro

Viver precisa de sentido, caso contrário a jornada terrena exigirá bem maior disposição e esforços, transformada quase numa desistência permanente. A esta conclusão chegou, como matéria científica, o psiquiatra austríaco Viktor E. Frankl, judeu que fora prisioneiro em três dos tantos campos de concentração nazistas durante a Segunda Grande Guerra.

Esse sentido para viver alimenta o ânimo qual nutriente de extrema necessidade. Isso que deverá vir das aspirações inúmeras. Do gosto de aguardar alguém que se ama. Adorar a Deus com os vigores da alma. Empregar a esperança na realização dos sonhos vários. A viabilização de projetos pessoais. Uma obra social. Concretização das ideias vitalizadoras do desejo de seguir em frente, ainda que perante vultosos desafios. Reencontrar entes queridos. Rever amores inesquecíveis. Criar condições de sentir a presença dessa potencialidade, mesmo enquanto permanecer sob pressões, insalubridades e limitações.

Dr. Frankl experimentou de perto tais restrições de sobrevivência, ele e os outros companheiros de campos, nas atrocidades nazistas. Em seu papel de observador perspicaz, analisava sistematicamente o comportamento manifesto dos milhares de prisioneiros, configurando a tese do sentido qual motivo justo de continuar a vida. Eram temperaturas abaixo de zero, péssimos agasalhos, fome, maus tratos, estados psicológicos deprimentes, expostos às surpresas da patologia gratuita da guerra; e resistiam desde que houvesse uma razão para isto em cada qualquer deles.

Quando alguém sabia das notícias da morte dos familiares que aguardava de novo encontrar, logo perdia as forças. O cientista notava que aquele se entregava ao desânimo. Desistia de sair para trabalhar. Permanecia estirado no alojamento em que dormia. E dentro de pouco tempo sucumbia às misérias das circunstâncias que até ali suportara.

Perante os quadros que estudou, Viktor Frankl reuniu elementos suficientes de avaliação do contexto radical extremo para a existência humana sadia, os quais lhe forneceram meios de criar a Terapia do Sentido, ou Logoterapia, conforme denominou. Logos, termo grego que significa razão, sentido.

O fruto dessas vivências de um psiquiatra em um campo de concentração durante a Segunda Guerra hoje possui ampla divulgação em muitos países do mundo, e forma escola de importante valor no tratamento das dificuldades mentais de grandes contingentes que a ele recorrem.

Há um livro de sua autoria, editado no Brasil com o título de Em busca de sentido, publicação da Editora Vozes, ora na 20ª. Edição, que permite conhecer mais de perto informações a respeito desse importante instrumento de ampla utilidade a quem pretende aprofundar o assunto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Gilberto Gil em Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro

E outra vastidão de planícies oferece o tabuleiro das saudades vivas em forma de sinais acesos por dentro do peito. As portas do céu se abriram de par em par apresentando a cara dos milhões de pontos de luz que mergulharam as poças dos sabores. Frutos, flores, dores, tantos valores que as marcas do tempo fixaram quais riscos de tatuagem colorida no teto das cores, no vento que insistiu percorrer de frio morno os mesmos caminhos de si mesmo do compositor.

Houve novas alternativas de reviver e percorrera os caminhos andados, repetidos feitos de ardorosos cavaleiros dadivosos de amores e sonhos. Quantos amores extintos e nascidos outras vezes entre árvores de jardins eternos, paisagens fiel da solidão que sobrou.

Acordes e fiapos de bênçãos a percorrer o espaço azul do firmamento deram, pois, o tom das melodias. Enquanto desfilavam fantasiosos artistas de outras cenas por sobre a pele ressequida do eterno Cariri.

No palco, os músicos e seus acordes zoadeiros. O menestrel sacoleja as bases do público entregue às guitarradas que ele no passado trouxera à música popular brasileira. Gilberto Gil em Juazeiro do Norte na noite do dia final de junho de 2011 e seus retados baiões de Luiz Gonzaga, retorno aos cursos da história de quando o sertão sobrevivia só das esperanças de chuvas e poucos andavam aqui que não fosse à procura de inspiração às avessas. Poucas passagens desta fase do poeta cantor tropicalista vieram, no entanto. Ritmos, ritmos em profusão, com esmerados profissionais dos instrumentos. Isso bem no território dos romeiros, agora na fase dos melhoramento da parte do governo. O espetáculo aconteceu e agradou, porquanto a alegria envolveu todos. Festa mil das dimensões elevadas do som eletrônico de agora, força elétrica que preenche e sufoca sem deixar margem repouso ao silêncio intermediário, mania dos tempos atuais, cheio de tantas manias eletrônicas possantes.

Buscar no ele de hoje o Gil dos anos 60, tarefa quase impossível de obter sucesso. Aquele de antes, político, revolucionário, resistente, nem ele saberá dizer que mundos ou estrelas habita nos dias que chegaram no ido das suas 70 primaveras. Porém vital, coerente da própria maestria. Feliz de se saber cantado, lembrado das multidões que dançam fácil as suas composições de variação e riqueza criativa.

Mas, é isso, trazia pouca novidade posterior ao período em que ocupou o Ministério da Cultura, talvez até na época da adaptação profissional doutro momento.

Ícone, portanto, de um povo, Gilberto Gil canta no trecho intermediário do Norte ao Sul, neste Brasil de luminosidade sonora e praças abertas aos fulgores do artista popular consagrado.

Hoje, Cariri Encantado-Protagonistas faz lançamento mundial do CD " O mistério das 13 Portas..." pelas ondas sonoras da Rádio Educadora do Cariri, 1020 khz , a partir das 14 horas.

Com músicas de Zé Nilton, Pachelly Jamacaru, Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Luiz Fidélis, Ulisses Germano, João Nicodemos, com as vozes dos compositores e intérpretes como João do Crato, Leninha Linnard, Coral infantil de Ponta da Serra e todas as letras de J.Flávio Vieira, hoje, faremos o lançamento pelas ondas sonoras do rádio e pela rede mundial www deste histórico CD que homenageia personagens popularese inesquecíveis que povoaram o cotidiano da nossa meninice: Tandô, Capela, Noventa, Principe Ribamar, Maria Caboré, Seu Jefférson, dentre outros.
Sinta-se convidado para esta primeira audição.
A produção do programa CARIRI ENCANTADO-Protagonistas! é da OCA- Officinas de Cultura, Aetes e produtos derivados em parceria com a Rádio Educadora do Cariri, AM 1020 khz.
A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel
Você pode ouvir o nosso programa pela internet:
http://www.radioeducadoradocariri.com/